Foi com entusiasmo e orgulho que vi a primeira embalagem de Leite Biológico Açoriano produzido na Ilha Terceira lançada no evento TasteAzores, uma iniciativa da Vice-Presidência, através da SEDEA, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

Entusiasmo porque atrás de uma embalagem de leite está todo um caminho e um processo que exigiu coragem para fazer diferente, quer por parte dos produtores que participam no projeto, quer por parte da PRONICOL que arriscou investir em algo pioneiro e que deve ser encarado como um recurso para uma fileira que exige, mais do que nunca, que se encontrem soluções sustentadas em valor acrescentado, diferenciação e proximidade com as verdadeiras questões de sustentabilidade ambiental e económica.

Este leite é fruto de um processo de dois anos que passou por assumir o compromisso, com a sociedade e com o consumidor, de cumprir com as regras que legitimam e distinguem um produto certificado em Agricultura Biológica.  Produzir qualquer produto em Modo de Produção Biológico (MPB) requer sempre um trabalho de conquista de saber, formação específica e acompanhamento técnico, de modo a ultrapassar possíveis desafios. Desengane-se quem acha que produzir Bio é só mudar ou fazer algumas alterações e quem apostou e aposta contra, afirmando que é impossível produzir determinados produtos em MPB.

É com orgulho que vejo, mais uma vez, que o trabalho dos homens e mulheres da terra, o verdadeiro espírito de cooperação, o investimento e implementação de políticas e estratégias de ação, como o Plano Estratégico para a Agricultura Biológica, por exemplo, podem e devem ser veículos e instrumentos ao serviço de todos e que, regra geral, são bem-sucedidos.

Também com orgulho repito o que já expressei, quando parecia uma utopia: os Açores têm potencial para ser uma referência a nível nacional e internacional em matéria de Agricultura Biológica.

O caminho que vem sendo trilhado em todas as ilhas, com cada uma a encontrar o seu potencial, orientando a sua produção com base nas necessidades do mercado e na devida aposta na variedade e qualidade, permite-me reafirmar que este título já é nosso. E agora não somos somente uma referência, mas a referência!

Permitam-me, assim, alimentar a vaidade em nome de todos os Açorianos, em especial os Terceirenses, já que somos, por agora, o único sitio onde se produz Leite Biológico em Portugal. Qualquer outra embalagem com esse título será de leite importado e embalado em Portugal.

Espero que este produto, o seu valor e aquilo que representa, seja bem explorado e enquadrado numa campanha de marketing que nos projete além-fronteiras, mas que também tenha uma presença forte no mercado regional, honrando e cumprindo o nosso dever para com os consumidores Açorianos e para com quem nos visita. É igualmente desejável que se construa e alimente uma imagem e relação de cumplicidade entre todos os envolvidos, que se personalize um pouco mais este projeto e que se aposte mais na consciencialização e sensibilização para os benefícios deste produto, para o impacto que o mesmo tem nas nossas vidas, saúde e ambiente.  Acredito que assim poderemos combater as campanhas nefastas em torno do leite e conseguiremos mais proximidade entre produtor e consumidor, fazendo com que este se identifique um pouco mais e assim faça uma escolha mais responsável, consciente e informada.

Por fim, aguardo com expectativa o lançamento deste produto na Ilha Terceira, já que os produtores e quem nele investiu merecem um momento de celebração, pelo pioneirismo do 1º leite Biológico Português, made in Açores.

Faço votos para que mais se juntem ao projeto e que este seja apenas um pequeno passo num caminho que se augura auspicioso.