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Questionada pela agência Lusa, a presidente da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores, Cristina Calisto, adianta que não lhe “foi transmitido por nenhum autarca dos Açores qualquer constrangimento em relação à realização do voto [antecipado] em mobilidade”.

“Também aqui, no que toca ao voto em mobilidade, tivemos uma experiência muito recente. Nós tivemos eleições em outubro e já houve voto em mobilidade. Nessa matéria não estamos a fazer nada de novo, estamos a fazer algo que já vivenciámos há pouco tempo”, completa.

A também presidente da Câmara Municipal da Lagoa reconhece que o processo de recolha dos votos ao domicílio, que está prevista para pessoas que estejam em isolamento profilático, pode trazer dificuldades acrescidas e ressalva que a realidade demográfica na região facilita a logística, mencionando que “algumas freguesias do concelho de Lisboa têm mais habitantes que Ponta Delgada, Lagoa e Ribeira Grande todos juntos”.

“Nos Açores, para o nosso número de habitantes, não creio que seja um custo significativo para os municípios”, reitera.

Para a autarca, a pandemia de covid-19 não será o maior problema, até porque as eleições regionais também aconteceram “numa situação de pandemia”. Agora, considera, há “uma situação mais difícil, que tem a ver com a situação climatérica”.

“Eu acredito que neste ato eleitoral se adivinha uma abstenção maior porque, atendendo a que tem chovido todos os dias, está frio, sobretudo uma população mais idosa, tenha receio de sair de casa no dia das eleições”, afirma Cristina Calisto.

A situação é preocupante porque “quanto mais distante o ato eleitoral é do cidadão, normalmente a abstenção é maior”.

De facto, na região que regista, consistentemente, os maiores níveis de abstenção do país, essa taxa é menor para as autárquicas (46,5% em 2017), seguindo-se as regionais (54,6% em 2020), depois as legislativas (63,5% em 2019) e, por último, surgem as presidenciais, que, em 2016, registaram uma abstenção a nível regional de 69,1%.

Mas o ato eleitoral que menos açorianos leva às urnas é o sufrágio para o Parlamento Europeu. Em 2019, a abstenção nas europeias atingiu os 81,3%.

Para as presidenciais de 24 de janeiro, Cristina Calisto lembra que, em algumas freguesias, “aumentaram-se o número de mesas de voto para evitar filas grandes de eleitores para uma secção de voto”.

“Isto também permitirá que as pessoas possam votar mais rapidamente, tenham menos tempo de espera, menos contactos, que possam exercer o seu direito de voto com mais segurança”, sublinhou.

O pedido para o voto antecipado de doentes internados e presos foi feito até 04 de janeiro e a recolha dos votos prolonga-se até quinta-feira, 14 de janeiro.

Este tipo de voto antecipado já existe há vários anos, mas nestas eleições essa possibilidade foi alargada devido à pandemia de covid-19, que afeta Portugal desde março de 2020.

Nestas eleições presidenciais também vai poder votar antecipadamente, uma semana antes, quem não o puder fazer em 24 de janeiro, a exemplo do que aconteceu nas europeias e legislativas de 2019.

Só no primeiro dia do prazo de inscrição no voto antecipado em mobilidade, no domingo, foram 52.994 os eleitores a fazer o pedido de voto antecipado.

O período de inscrição termina na quinta-feira, 14 de janeiro.

Haverá mesas de voto antecipado nas sedes de cada um dos 308 concelhos, e não apenas na sede do distrito, como aconteceu nas eleições europeias e legislativas, em 2019.

Também os doentes com covid-19 ou pessoas em isolamento profilático podem pedir para votar antecipadamente.

O pedido de voto antecipado é feito por carta para a administração eleitoral e no “site” https://www.votoantecipado.mai.gov.pt.

As eleições presidenciais estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral decorre entre 10 e 22 de janeiro, com o país a viver sob medidas restritivas devido à pandemia.

Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).