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O secretário da Saúde do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) revelou hoje que o médico e antigo candidato do PPM Paulo Margato foi nomeado presidente do conselho de administração da Unidade de Saúde do Corvo.

Em declarações à agência Lusa, Clélio Meneses rejeitou que exista qualquer problema ético na nomeação de Margato devido ao médico ter sido candidato pelos monárquicos às eleições regionais de 2020, advogando que “ninguém está impedido de ser nomeado para cargos por ter sido candidato por qualquer partido”.

“O PS, durante anos e anos, os seus candidatos, foram nomeados para cargos, conforme aconteceu com o PSD. Neste caso, havendo uma solução governativa assente em três partidos, nada mais normal que um nomeado que tenha sido candidato por um dos partidos. Decorre do próprio processo democrático. Não vejo qualquer tipo de problema”, declarou.

Clélio Meneses lembrou que Paulo Margato foi “nomeado para vários cargos por governos anteriores” liderados pelo PS e salientou que “não existe qualquer conflito de interesse com quem o nomeia”.

“Não vejo qualquer conflito de interesse. Foi candidato do PPM. Como todas as pessoas que são candidatas por um partido que depois forma governo são nomeadas para exercer cargos. É o mais comum da história da democracia”, declarou.

O secretário regional realçou ainda que a cessação de funções do anterior presidente “decorreu de questões relacionadas com o funcionamento do conselho de administração”.

Segundo disse, os restantes membros da administração “manifestaram indisponibilidade para continuarem” sob a liderança de António Salgado.

“Entendeu-se que num órgão colegial como é um conselho de administração de uma Unidade de Saúde, para mais com as particularidades do Corvo, tem de haver uma cooperação interna que não havia”, afirmou.

E acrescentou: “como médico e como delegado de saúde, mantém-se o doutor Salgado no Corvo. Lamento o aproveitamento político partidário e pessoal que estejam a fazer, querendo dizer que o doutor Salgado estava a ser expulso. Não é verdade”.

Hoje, o secretário regional de Saúde já tinha garantido que o Corvo não iria ficar sem médico, e poderá até “ter dois”, recusando motivações político-partidárias na cessação de funções do presidente da administração da Unidade de Saúde.

Em declarações à Antena 1/Açores, o médico António Salgado considerou que a decisão da tutela resultou de “uma particularidade do Corvo, que é ser mandado de uma forma arbitrária, quase absoluta, por uma figura que é o dono disto tudo e que gere a ilha como se fosse um jogo de tabuleiro, o deputado do PPM”.

“Estou a meio do mandato. Esta é uma decisão que interrompe o mandato e que me surpreende. Esta é, talvez, a unidade de saúde que melhor funciona. É tudo menos esperável que isto possa acontecer”, afirmou Salgado à rádio pública.

Também em declarações aos jornalistas na Horta, Paulo Estêvão, deputado do PPM eleito pelo Corvo, assegurou ser “mentira qualquer tipo de interferência neste processo”.

“[O médico] não está a ser afastado da ilha. Apenas foi afastado de presidente do conselho de administração. Pode continuar como médico. Só não continua se não quiser”, frisou Paulo Estêvão.

Para o deputado e líder do PPM/Açores, o médico “quer sair porque, perante a perspetiva de o Governo colocar mais um médico na ilha, já não vai ganhar tanto dinheiro”.

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