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O mau tempo “veio fragilizar ainda mais o quebra-mar” do porto das Lajes das Flores, destruído na sequência da passagem do furacão Lorenzo, uma infraestrutura “muito desabrigada” e exposta às condições meteorológicas, disse hoje a Portos dos Açores.

“Neste momento temos a noção de que o quebra-mar está mais fragilizado do que estava. E, naturalmente, à passagem de cada tempestade, até ser reposto o porto novo, que já está projetado e aprovado, ele vai-se fragilizando”, disse à agência Lusa Rui Terra, presidente da Portos dos Açores, empresa responsável pela gestão portuária na região.

O molhe do porto das Flores ficou destruído na sequência da passagem do furacão Lorenzo, em outubro de 2019, originando constrangimentos no abastecimento à população.

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No sábado, e na sequência da passagem da tempestade ‘Efrain’, o porto voltou a ser afetado.

“É um porto desabrigado. São situações que vamos ter de gerir, Enquanto não tivermos o porto novo feito de raiz, o mar vai fragilizando aquilo que neste momento existe. Não tinha proteção e continua a não ter”, referiu Rui Terra, sublinhando que, desta vez, foi possível “minimizar muito os estragos” provocados pelo mau tempo.

Atendendo às previsões meteorológicas que estavam previstas com a passagem da tempestade ‘Efrain”, foram tomadas “várias medidas preventivas”, nomeadamente a retirada de material, contentores e embarcações, em parceria com a comunidade local, indicou à Lusa o responsável.

Ainda assim, Rui Terra adiantou que o mau tempo do último fim-de-semana provocou estragos “em equipamentos” e no interior do edifício da Portos dos Açores no porto das Lajes das Flores.

“A primeira prioridade foi garantir que o acesso da embarcação que abastece a ilha tinha condições para operar e que não haveria detritos no fundo que impedissem o navio de fazer a aproximação à ponte cais. Isso foi garantido ao final de cerca de 48 horas, assim como os acessos ao cais, em articulação com a capitania das Flores”, sublinhou.

Rui Terra assinalou que, atualmente, “todos os pontos de energia” estão “repostos” e “todos os equipamentos da Portos dos Açores estão a funcionar”, assim como o material, que foi preventivamente retirado, das empresas que estavam a trabalhar no cais.

O presidente da Portos dos Açores assegurou ainda que em termos portuários o porto “está operacional”.

“Apesar das limitações que o mar ainda oferece, o balanço é francamente positivo. Nunca tivemos o porto das Flores tão pouco tempo interditado e nunca a reação foi tão rapidamente preventiva e tão rápida após a passagem da tempestade”, assinalou.

Rui Terra explicou também que estiveram no terreno “várias equipas, com uma parceria muito forte com a população local e a comunidade portuária”, o que permitiu também evitar “muitos estragos”.

O projeto do porto para repor “definitivamente” a capacidade portuária da infraestrutura das Lajes das Flores tem previsão de lançamento de procedimento concursal “no primeiro trimestre de 2023” e a obra deverá ficar concluída “até final de 2028”.

O presidente da Portos dos Açores revelou ainda que “não” se prevê atrasos significativos nas obras devido aos estragos do mau tempo.

“Não estamos a falar de atrasos significativos, mas há uma duplicação de trabalho que não estava prevista inicialmente e será realizada o mais breve possível por parte dos empreiteiros”, sustentou.

Em 21 de outubro, a operacionalidade do Porto das Lajes das Flores foi reposta com a primeira atracação do navio “Monte da Guia” na nova ponte-cais, entretanto construída.

O navio de transporte de mercadorias para a ilha das Flores, Açores, não conseguiu hoje descarregar a carga porque o porto está “praticamente sem quebra-mar”, após a destruição agravada pela tempestade de sábado, disse à Lusa o capitão.

A transportadora aérea açoriana SATA vai realizar, ao início da tarde de hoje, um voo de reforço com 800 quilos de bens perecíveis para a população da ilha das Flores, nos Açores, disse o Governo Regional.

“Além do voo normal de hoje, que transporta 1.800 quilos de carga de bens perecíveis, a SATA vai realizar um voo de reforço apenas para transporte de mercadoria”, disse à agência Lusa o diretor regional da Mobilidade, Rui Coutinho.

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