Marta Matos: Chega de aceitarmos este rótulo de que somos Região mais pobre do País

Marta Matos

A Pobreza e a Exclusão Social estiveram em debate na última sessão plenária onde constatei, com alguma pena e desilusão, que por vezes o foco estava mais na afirmação pessoal e de aproveitamento político-partidário. A mim choca-me esta forma de fazer política e choca-me, particularmente, numa matéria como esta porque os números são pessoas, são famílias. Esses números, que todos conhecemos, não são aceitáveis e foi isso que o Governo Regional do Partido Socialista disse, e numa atitude corajosa, séria, honesta, reconheceu o problema da pobreza nos Açores.

O fenómeno da Pobreza é complexo nas suas causas, e nas suas consequências, e não pode ser combatido sem ser compreendido. Foi isso que o Governo Regional do Partido Socialista fez, com transparência e com abertura ao diálogo e à participação, da qual resultou a Estratégia Regional de Combate à Pobreza e à Exclusão Social. Neste documento – inovador a nível nacional, de mérito reconhecido, cuja validade científica não pode ser contestada -, importa realçar o seu caráter estrutural, porque não trata da mitigação da pobreza nem das situações de emergência social, mas sim de intervenção nas causas. É uma resposta que parte de uma abordagem integrada, articulando Educação, Formação, Saúde, Emprego e Solidariedade Social.

É uma Estratégia territorializada porque, como todos nós sabemos, o fenómeno da pobreza não é homogéneo no território regional. Foram identificados territórios na nossa Região que exigem uma intervenção prioritária. É assim que faz sentido intervir porque, como partilhei em Plenário, enquanto autarca de freguesia no Pico, não reconheço o cenário generalizado que tentam fazer passar.

Considerando que a Pobreza é um problema de todos, esta estratégia deve ser participada, não só pelos departamentos governamentais, mas também pelas IPSS e pelas Misericórdias, pelas Associações e Instituições locais, pelos Partidos Políticos e pelas autarquias. É importante também que se diga que esta estratégia eventualmente terá falhas e algumas medidas poderão não alcançar os resultados desejados, mas ela dá prioridade aos Açorianos, às pessoas e às famílias, e isso ninguém poderá contestar.

Entendo, por isso, que chega dessa visão fatalista, chega de pôr as culpas no Governo, chega de aceitarmos este rótulo de que somos a Região mais pobre do País. Nós temos, neste momento, os instrumentos e as ferramentas políticas e económicas necessárias para fazer este combate. O importante é que seja feito com honestidade, com seriedade, com responsabilidade, com consciência do papel de cada um, como o Partido Socialista sempre o tem feito.

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