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Maria da Conceição Botelho, 77 anos, residente em São Roque, São Miguel, mostrou-se hoje satisfeita por ser a primeira beneficiária do Novos Idosos, um programa do governo açoriano que visa prestar apoio ao domicilio em detrimento da institucionalização.

“É sempre melhor ficar na minha casa”, disse Maria da Conceição, depois da assinatura do primeiro contrato da prestação de cuidados do Novos Idosos, que decorreu na sua sala de jantar, com a presença do presidente e do vice-presidente do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro e Artur Lima, respetivamente.

A idosa, natural da freguesia do Livramento, atualmente a residir em São Roque, agradeceu a oportunidade e mostrou-se satisfeita por ser a primeira contemplada daquele programa, que resulta de uma parceria entre o executivo regional e as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

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A filha, Nídia Botelho, cuidadora a tempo inteiro, reconheceu que o programa vai ser uma “grande ajuda” em termos sociais e financeiros, classificando como “impecáveis” o psicólogo e a assistente social que já têm acompanhado a mãe nos últimos dias.

“Vamos ter mais possibilidades para comprar mais alguma coisa para casa e também para ajudar minha mãe na medicação. É uma ajuda em várias coisas. Existiam algumas coisas que queríamos comprar e não podíamos. Isso agora é uma grande ajuda para as famílias”, afirmou.

Para Maria da Conceição Botelho, que apresenta dependência para a realização das atividades quotidianas, foi construído um plano com serviços de estimulação cognitiva, vigilância e acompanhamento, confeção das refeições, assistência na toma da medicação, limpeza da casa e tratamento de roupa, bem como deslocações para outras tarefas.

A cuidadora vai receber um apoio mensal de 948 euros.

“Sabe o que isso significa? É que estamos ao seu serviço. A senhora é a primeira. É bom ver o seu sorriso”, afirmou o presidente do Governo dos Açores, dirigindo-se à utente, após a assinatura do contrato.

Mais tarde, aos jornalistas, o social-democrata confessou a sua “enorme alegria” por estar a “concretizar um projeto inovador”.

“Estamos a fazer bem o bem que precisa de ser bem feito. Num sentido reformista e de mudança de paradigma porque em vez da institucionalização, temos o apoio às famílias e aos idosos, sem os desenraizar da sua casa e da sua comunidade”, afirmou.

Dando nota de que o projeto-piloto vai abranger 50 pessoas em São Miguel e outras 50 na Terceira, Bolieiro descreveu o programa como um bom “exemplo de solidariedade intergeracional”.

“Hoje sentimos que estamos a entrar com o pé direito no projeto-piloto para o universalizar nos Açores inteiros”, reforçou.

O responsável pelo lar Luís Soares de Sousa, instituição que está a concretizar o programa em São Miguel, detalhou que vai ser criado um plano individual para cada idoso.

“O lar Luís Soares de Sousa disponibiliza toda a sua capacidade técnica, como, por exemplo um psicólogo, sociólogo e fisioterapeuta para ajudar os idosos. No caso de o cuidador ter necessidade de descanso, também pode avançar alguém para cuidar do idoso”, salientou Noé Rodrigues.

Os idosos de São Miguel abrangidos nesta primeira fase são todos do concelho de Ponta Delgada, revelou o líder da instituição, que expressou a intenção de alargar o projeto a mais idosos a “breve prazo”.

“Os critérios [de escolha] têm sempre a ver com o grau de necessidade que as pessoas têm”, acrescentou, lembrando que as candidaturas superaram o número de vagas.

O projeto Novos Idosos, nesta fase experimental, vai ser implementado na Praia da Vitória e em Ponta Delgada, num investimento de 1,9 milhões de euros, com recurso a verbas do Plano de Recuperação e Resiliência.

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