A iniciativa socialista, que teve os votos favoráveis do PS e do BE, acabou rejeitada na sessão plenária do parlamento açoriano, que decorre esta semana na cidade da Horta, na ilha do Faial.

A deputada socialista Ana Luís, na apresentação da proposta, defendeu que a criação de uma comissão no parlamento regional para acompanhar a covid-19 habilitaria os deputados de toda a informação “útil e necessária”.

“Todos aqueles que se arrogam de defender aquilo que designam por uma nova forma de governar, transparência, comunicação, proximidade e que têm enaltecido a centralidade deste parlamento, pois têm aqui a vossa oportunidade de demonstrar que essas não são apenas palavras bonitas”, declarou Ana Luís.

O líder parlamentar do PSD, Pedro Nascimento Cabral, afirmou que a proposta socialista “não faz sentido nenhum nos tempos que correm”, uma vez que a região tem registado uma diminuição do número de casos ativos de covid-19.

“Este Governo [Regional] tem manifestado, desde que tomou posse a assumiu o dossiê da covid-19, uma postura que rigorosamente nada tem a ver com o que se passou com o anterior governo”, acrescentou o social-democrata.

A deputada do CDS-PP Catarina Cabeceiras também realçou que tem existido informação partilhada com os deputados, desde que o novo executivo açoriano tomou posse em novembro de 2020.

O secretário regional da Saúde, Clélio Meneses, declarou que o Governo dos Açores tem “total e incondicional disponibilidade” para prestar informações aos parlamentares, dando o exemplo da ida de governantes às comissões, referindo que a comissão de assuntos sociais tem acompanhado de forma “exemplar” a pandemia da covid-19.

Paulo Estêvão, do PPM, salientou que em matéria de transparências o PS “não está em condições de dar lições”, referindo que o atual Governo Regional tem respondido mais depressa às questões dos parlamentares, quando comparado com o anterior executivo socialista.

A deputada do BE Alexandra Manes disse concordar com a proposta do PS e acusou a maioria de direita no parlamento de “querer manter a sua maioria a decidir por si só”, criticando os partidos que suportam o Governo por falta de transparência.

O deputado do PAN, Pedro Neves, disse ser “totalmente” contra a iniciativa, uma vez que uma comissão de acompanhamento à covid-19 iria servir para “um arrufo de comadres” e para “discutir tudo menos o que interessa aos açorianos”.

O deputado do Chega José Pacheco declarou ser contra uma comissão que “não irá servir para nada” e iria trazer “mais encargos” ao erário público.

O deputado liberal Nuno Barata criticou o PS por querer levar a pandemia da covid-19 para a discussão político-partidária, uma prática que, segundo disse, o PS já tinha feito quando governava a região.

O líder parlamentar do PS, Vasco Cordeiro, ao ver que a proposta iria ser chumbada, disse “começar a ver com preocupação” a “convicção” da maioria de direita de que “basta bater no peito e dizer transparência”: “isso não é assim”, assinalou o antigo líder do Governo Regional.