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“Hoje em dia, a maioria absoluta não é um poder absoluto, é ter condições para governar. (…) Nós felizmente temos um Presidente da República que está no início do seu mandato, tem todo o seu mandato que vai cobrir a próxima legislatura, é uma pessoa de quem os portugueses gostam (…) que tem autoridade, e alguém acredita que com Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República poderíamos ter uma maioria absoluta que pisasse o risco? Não pisava o risco dois dias, era o primeiro e acabava”, frisou António Costa.

O secretário-geral do PS falava à saída do cineteatro Capitólio, em Lisboa, onde decorreu o debate que o opôs ao líder do PSD, Rui Rio, tendo saído acompanhado pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro.

António Costa abordou o “receio que as pessoas têm relativamente a experiências passadas” de maiorias absolutas, afirmando que “toda a gente tem consciência” de que existem “hoje condições institucionais para que a maioria de hoje não seja como as maiorias foram anteriormente”.

Salientando que não quer que se comparem “as diferenças de personalidades” com outros primeiros-ministros que tiveram maiorias absolutas, Costa citou, no entanto, o primeiro governante a obtê-la, Aníbal Cavaco Silva – “eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas” — para afirmar que “toda a gente sabe” que é “uma pessoa de diálogo, de compromissos, de consensos”.

Nesse sentido, o também primeiro-ministro abordou o seu trajeto enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa, entre 2007 e 2015, para afirmar que, apesar de ter tido maioria absoluta na altura, pretendeu “negociar com todos” os partidos o Plano Diretor Municipal, tendo “praticamente todos os partidos” votado a favor.

“Porquê? Eu podia ter feito sozinho a com a minha maioria, mas eu sabia que o Plano Diretor Municipal é uma coisa para uma década da cidade e, portanto, é necessário um consenso amplo, e negociámos, negociámos, para ter o consenso mais amplo possível. É assim que eu farei também com a maioria”, afirmou.

António Costa sublinhou assim que o partido não pode “continuar a perder tempo” e, sem nunca pedir explicitamente uma “maioria absoluta”, salientou que é “necessária uma maioria do PS”.

“Os outros estão a trabalhar, a avançar, e nós estamos aqui a fazer uma campanha eleitoral quando devíamos estar todos a fazer o que o país precisa: é virar a página desta pandemia e fazer o país avançar”, disse.

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