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O presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, afirmou hoje que o executivo regional não pretende entrar no capital social da companhia aérea açoriana SATA, contrariando a posição defendida pelo presidente da Associação de Hotelaria de Portugal, Bernardo Trindade.

“Nós não vamos entrar no capital da SATA”, disse o governante madeirense, para logo acrescentar: “Acho que não há interesse nenhum de os governos entrarem em companhias de aviação”.

Miguel Albuquerque falava à margem da inauguração de uma exposição alusiva à vida e obra da artista Lourdes Castro, no Mudas – Museu de Arte Contemporânea da Madeira, no concelho da Calheta, zona oeste da ilha, onde comentou a posição do presidente da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) que defendeu, recentemente, a entrada da Madeira no capital social da SATA.

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“O governo não tem de se meter nem no capital, nem na administração das empresas de aviação”, declarou, sublinhando, no entanto, que o executivo madeirense tem uma “boa relação” com a companhia açoriana, que opera a ligação direta entre a Madeira e Nova Iorque, nos Estados Unidos.

“O que se passou na TAP é um bom exemplo de que o governo não deve estar metido no capital, porque isso tem sempre implicações para o bolso dos contribuintes”, reforçou.

Miguel Albuquerque, que lidera o governo de coligação PSD/CDS-PP, disse, a propósito, que a TAP “está a desaparecer” porque “não consegue competir com outras operadoras que funcionam de uma maneira totalmente diferente” e considerou que a companhia será “irremediavelmente privatizada”.

Em declarações à Antena 1/Açores, Bernardo Trindade, que foi secretário de Estado do Turismo, defendeu a entrada da Região Autónoma da Madeira no capital social da SATA.

“Pessoalmente, como empreendedor, entendo que hoje estão criadas as condições para que numa abertura de capital possa ter a Região Autónoma da Madeira, juntamente com a Região Autónoma dos Açores, a servirem, com uma empresa mais musculada financeiramente, um todo internacional”, afirmou o líder da AHP.

Numa reação a estas declarações, o presidente do Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro, também indicou que o executivo não tenciona entrar no capital social da companhia.

“Acabou o tempo de intromissão política do Governo [Regional] na gestão da SATA que, aliás, foi de péssimos resultados”, afirmou o governante na sexta-feira.

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