Livro quer desvendar paisagem humana das Sete Cidades nos Açores

Fotografias, histórias de vida, vários artigos e um mapa com um levantamento sobre a freguesia integram um livro que é lançado na terça-feira e pretende desvendar a paisagem humana das Sete Cidades, um dos ex-libris dos Açores.

“A freguesia é um dos ex-libris dos Açores e uma das Sete Maravilhas de Portugal. E com este livro pretendemos levantar o véu. A localidade é conhecida pela sua paisagem natural, com as suas lagoas, mas a sua paisagem humana tem sido esquecida e quisemos colocá-la no mapa”, afirmou à agência Lusa Maria Emanuel Albergaria, responsável pela equipa do Património Cultural e Material da Coleção de Etnografia Regional do Museu Carlos Machado.

A obra “Sete Cidades para além da Paisagem”, que é lançada na terça-feira às 19:30, na Junta de Freguesia das Sete Cidades, ilha de São Miguel, tem 270 páginas e um suplemento referente a um mapa sobre a localidade, elaborado em parceira com a Universidade dos Açores e que permitiu ainda um levantamento dos sítios e locais da localidade, desde os espaços de restauração, ao alojamento local, aos jardins e a disponibilidade em termos de serviços.

Maria Emanuel Albergaria explicou que o livro engloba a história das Sete Cidades, testemunhos de vida de 15 pessoas da comunidade, um artigo do geógrafo João Porteiro, professor da Universidade dos Açores, um artigo referente ao túnel que existe na freguesia, e outro artigo sobre a demografia, além de “muitas imagens muitas delas inéditas” daquela localidade, um dos principais pontos turísticos de São Miguel.

“Fomos ao arquivo do fotógrafo Gilberto Nóbrega e recolhemos ainda fotografias do arquivo particular de Francisco Alvares Cabral, um pintor que era proprietário de uma grande herdade nas Sete Cidades, a Seara”, indicou, acrescentando que a obra reúne fotos do espólio do Museu do Coronel Afonso Chaves e da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

Segundo a responsável, uma das particularidades da comunidade das Sete Cidades “é ter vivido muito isolada naquela cratera”, relevando ainda o fato de os residentes “não serem donos do solo das suas casas”.

“Têm as casas, mas o solo ainda pertence a uma grande família que atualmente são os herdeiros do engenheiro Caetano de Andrade. Essas pessoas viveram durante muito tempo isoladas com acessos que eram atalhos até meados do século XX. Viveram o drama das cheias que só foi resolvido quando se construiu um túnel em 1937”, explicou.

Maria Emanuel Albergaria sublinhou que a obra aborda todas estas particularidades do passado de “uma comunidade muito lutadora, em que as mulheres lavavam a roupa nas lagoas e vinham entregá-la a Ponta Delgada a clientes”.

“As pessoas não têm a noção que as Sete Cidades têm a mesma área do que a ilha do Corvo, um pouco mais até e não há grande noção da geografia”, disse.

O editor do livro é a Secretaria Regional da Educação e Cultura, em parceria com o Museu Carlos Machado, e o financiamento resultou de um prémio internacional Ibero Americano de Educação e Museus, atribuído à instituição em 2015 na sequência do projeto que a equipa do Património Cultural e Material tem realizado nas Sete Cidades.

O livro sobre as Sete Cidades inclui ainda referências da obra “verde azul”, de Jorge Arruda, atual diretor do aeroporto de Santa Maria.