Livro de Creusa Raposo “Arrifes: Detentores de Património Cultural?” foi lançdo nos Arrifes

No dia 7 de Junho de 2019 foi lançada a obra “Arrifes: Detentores de Património Cultural?” de Creusa Raposo na freguesia de Arrifes.

A cerimónia contou com a presença de Susana Goulart Costa, Directora Regional da Cultura que apresentou a obra, com a Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Maria José Duarte, com o presidente da Junta de Freguesia de Arrifes, Eusébio Massa, com o sócio-gerente da editora Letras Lavadas, Ernesto Resendes, com o Comandante do Regimento de Guarnição nº 2, António Paradelo, com a directora da BPARPD, Madalena San-Bento, José Andrade, chefe do gabinete da CMPD, antigos deputados, professores e um vasto público que foi surpreendido no início da cerimónia por uma intervenção dos romeiros da paróquia de Nossa Senhora da Saúde, através da entoação de orações, ora rezadas, ora cantadas, com especial destaque para a “Avé-Maria dos Romeiros”. “Independentemente de sermos religiosos ou não” defendeu a autora da obra “(…) as romarias quaresmais fazem parte da nossa história e da nossa identidade enquanto açorianos”.

Em seguida tomou a palavra o sócio-gerente da editora Letras Lavadas que abordou os aspectos gráficos do livro. Deu a conhecer que se trata de uma obra com cerca de 352 páginas, que pesa cerca de 1.850 kg, de papel matte, capa dura e ainda produzido com papel ecológico. Destacou o trabalho gráfico da paginadora Sandra Fagundo ao superar o desafio de converter cerca de 600 páginas de texto Word e com mais de 1500 notas de rodapé explicativas num volume aprazível. Salientou por fim o magnífico trabalho fotográfico realizado por Cláudio Pacheco que muito enaltece a obra agora apresentada.
A Doutora Susana Goulart Costa apresentou a obra explicando que esta é composta por três capítulos principais. No primeiro está patente a história e caracterização da freguesia de Arrifes. O leitor terá a oportunidade de fazer uma viagem desde o povoamento até aos nossos dias, pelos vários sectores económicos, pela demografia e pelo património imaterial, através de um calendário festivo onde as festividades estão inseridas nas estações do ano.
O segundo capítulo dedica-se ao estudo do território e da toponímica ilustrado por vários mapas e gráficos com especial incidência para a antroponímica.
O terceiro capítulo merece destaque não só pelo seu volume, mas pela vasta quantidade de subcapítulos que apresenta. Aqui o leitor visita a arquitectura religiosa, militar, doméstica, de produção e utilitária. “O leitor irá vislumbrar a paramentaria e as várias alfaias eucarísticas, a história das igrejas, os seus retábulos e ainda, que a autora inclui um inventário pormenorizado que identifica o objecto, a sua origem, datação, materiais e medições. Este inventário devidamente ilustrado é uma mais valia, pois possibilita a fácil identificação das peças em caso de furto ao comprovar a sua autenticidade” frisou a Directora Regional da Cultura. Elogiou o facto de a autora ter dedicado algumas páginas ao estudo da arte fúnebre com a “(…) sinalização de alminhas mas principalmente pela abordagem ao património cemiterial, que a maior parte dos investigadores opta por evitar”. Outro ponto de destaque é a “(…) arquitectura doméstica que a Mestre Creusa Raposo classifica como casa popular, abastada e nobre. Contemplando não só o exterior, mas igualmente o seu interior e revelando a arte decorativa desconhecida do grande público: pintura, mobiliário, imaginária, prataria, entre outros”. Contribuindo igualmente para percebermos como a casa nobre dos séculos XVIII e XIX, por exemplo, organizava o seu espaço doméstico. Referiu que “(…) hoje é impensável termos uma casa sem corredor, pois as nossas casas contemplam o individualismo através do corredor e quartos individuais contrastando com a antiga arquitectura, onde se passava de uma divisão para a outra sem privacidade”. Alertou para a cultura do fachadismo frequentemente aplicada, onde o interior é destruído perdendo-se parte da identidade e memória da arquitectura habitacional.
Susana Goulart Costa afirmou que as variadas fontes, algumas delas inéditas com destaque para os testamentos, arquivos privados e fontes orais e fotográficas contribuíram para que esta detalhada investigação, respondesse à questão que o título levanta. Terminou afirmando que sim. Que “os Arrifes são detentores de património cultural e que possuem, tal como o poema de Eduíno de Jesus escolhido pela autora para ilustrar o livro nas primeiras páginas: “tanta, tanta coisa! Os Arrifes têm tanta, tanta coisa…”
Por último Creusa Raposo proferiu palavras de agradecimento a várias entidades e particulares que contribuíram para a materialização da obra. Terminou a sessão fazendo votos de uma excelente leitura e desejando que o leitor redescubra a história desta comunidade, afirmando que é a História das nossas localidades que compõe a História dos Açores e de Portugal.