Letras Lavadas lança edição de luxo da obra do historiador açoriano Gaspar Frutuoso

A editora açoriana Letras Lavadas lança, no sábado, uma edição de luxo da obra “Saudades da Terra”, do historiador Gaspar Frutuoso, uma referência para quem consulta a história dos Açores e dos restantes territórios da Macaronésia.

Gaspar Frutuoso nasceu em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, em 1522, e faleceu na Ribeira Grande, a 24 de agosto de 1591, tendo sido historiador e sacerdote, comemorando-se, em 2022, 500 anos sobre o seu nascimento.

Possuía o bacharel em Artes e Teologia pela Universidade de Salamanca e era doutor em Teologia, tendo-se destacado pela autoria da obra “Saudades da Terra, onde descreve com rigor a histórica e geografia dos arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde.

A editora açoriana Letras Lavadas vai lançar, para assinalar a publicação de 500 livros, um ‘fac-simile’ do manuscrito das “Saudades da Terra” e das escassas folhas das amputadas “Saudades do Céu”, constantes em códice depositado na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

A reprodução do manuscrito, em 1.184 páginas, inclui uma introdução e palavras prévias do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a par dos presidentes de Cabo Verde e dos governos da Regiões Autónomas dos Açores, da Madeira e das Canárias.

Marcelo Rebelo de Sousa refere no seu contributo para o livro que, “em vez de descrever longes terras, desconhecidas ou míticas, Gaspar Frutuoso dedicou-se a essas ilhas atlânticas, mais próximas do que o Oriente, mas distantes para aquele tempo”.

“São viagens (quase) ao pé da porta, como diria Vitorino Nemésio, textos com um saber de experiências feito, redigidos com minúcia de geógrafo ou naturalista e mestria de escritor”, refere o Presidente da República.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, a obra merece um “agradecimento, porque disponibiliza de novo um clássico que, sendo motivo de justo orgulho açoriano, pertence por inteiro à linhagem das grandes crónicas portuguesas e europeias”.

José Maria Pereira Neves, presidente da República de Cabo Verde, que destaca o legado deixado por Gaspar Frutuoso sobre o arquipélago, questiona se “não fará sentido uma coleção intitulada de ‘Fontes Documentais para a História da Macaronésia” e mesmo uma História Geral da Macaronésia?”.

Ángel Víctor Torres, presidente do Governo das Canárias, considera, no seu contributo, que os 500 anos do nascimento de Gaspar Frutuoso constituem “uma ocasião imemorável para homenagear este visionário, de espírito renascentista”.

“Há cinco séculos, viu o que o nos une antes do que nos separa, as oportunidades antes das desvantagens, com base na sua visão humanista, positiva e construtiva do território que compartilhamos, que é a Macaronésia”, declara Ángel Víctor Torres.

Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, aponta que o seu legado é “por todos reconhecido como o mais importante repositório, não só de história, mas também enquanto fonte de inesgotável e valiosíssima informação sobre o quotidiano das gentes insulares”.

José Manuel Bolieiro, presidente do Governo dos Açores, diz que a obra de Gaspar Frutuoso “é uma referência de conhecimento, que importa preservar e celebrar, através da vivência dos seus escritos, que continuam sendo um registo de grande pertinência para a atualidade, tendo em conta o conhecimento histórico, geográfico e botânico dos Açores e da Macaronésia”.

A introdução da obra está a cargo do historiador e docente da Universidade dos Açores, Avelino Menezes, que considera que as comparações com Heródoto ou com Alexandre Herculano, “referências europeia e portuguesa da emancipação da História, no mínimo, equiparam Frutuoso essencialmente a um proto-historiador”.

A obra do historiador, cujos 500 anos do nascimento estão a ser assinalados este ano, será lançada no Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada.

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