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A um ano exato do início da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 (JMJLisboa2023), o bispo responsável pela organização do evento é claro: “É um desígnio nacional” e “vai ser uma experiência inesquecível”.

Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023, não esconde o entusiasmo na sede da organização da Jornada, na antiga Manutenção Militar, no Beato, em Lisboa.

“Há pressa no ar! é aquilo que diz o nosso hino (…) e é isso que sentimos”, diz o prelado à agência Lusa, dando nota dos ecos da mobilização da juventude portuguesa que tem estado a ser feita com a peregrinação pelas dioceses dos símbolos da JMJ – a cruz peregrina e o ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani.

“Começou no Algarve e já vamos na décima diocese, incluindo as ilhas. E para nós foi particularmente importante o pormenor de termos conseguido, com a ajuda da Força Aérea Portuguesa, a presença dos símbolos em todas as ilhas do arquipélago dos Açores. Foi muito importante para nós. É uma prova maior da coesão territorial do nosso país e do povo que somos”, afirma Américo Aguiar

A um ano da jornada – a realizar entre 01 e 06 de agosto -, sente-se “a pressa, uma pressa que vai sendo ansiedade e uma pressa que vai sendo também aceitarmos que [para] muito daquilo que é preciso fazer a nossa colaboração é pouca (…) porque o que é necessário fazer implica um pouquinho de cada um e de cada um é de cada português, porque o desígnio é verdadeiramente nacional”.

“Nós estamos a falar de acolher no nosso país, na nossa cidade, nas nossas aldeias, nas nossas vilas, a juventude do mundo inteiro”, acrescenta.

Inicialmente marcada para 2022 e adiada um ano devido à pandemia de covid-19, a JMJ Lisboa 2023 está, segundo Américo Aguiar, num “crescendo” de mobilização.

“Não nos podemos esquecer que o Papa Francisco anuncia a jornada em janeiro de 2019. A jornada muda de 2022 para 2023. Tivemos a circunstância da pandemia e da covid, que infelizmente ainda vivemos. Temos a circunstância da guerra. Os nossos focos de atenção têm sido alterados mediante aquilo que é a realidade da vida das pessoas”, afirma o responsável pela organização da JMJ, sublinhando a “travagem a fundo” feita no início da pandemia.

O bispo auxiliar de Lisboa exemplifica com o “redirecionamento” feito pela Comité Organizador Local (COL) dos computadores portáteis que tinham recebido no início da pandemia, com vista ao trabalho das equipas responsáveis pela montagem do evento. Com o adiamento da JMJ, “imediatamente os redirecionámos para jovens que na altura precisavam das aulas via telemática e que não tinham esses computadores. E portanto, de um momento para o outro, tínhamos equipamentos, como deixámos de ter, como muitas outras coisas, que nós redirecionámos para aquilo que era a urgência da realidade da vida de cada um”.

Organizar a JMJ obriga a uma grande operação de logística, tendo em conta as estimativas de mais de um milhão de jovens de todo o mundo a confluírem a Lisboa, para um encontro de dimensão como nenhum outro até agora realizado em Portugal.

“Temos trabalhado cenários, porque nós não sabemos (…) mas podemos estar a falar de uma jornada que possa ser das mais participadas de sempre se não tivermos pandemia, se não tivermos uma guerra mais generalizada, se não tivermos uma economia que impeça que os jovens possam participar, (…) como podemos ter uma jornada com uma participação mais diminuída em razão destes ‘ses’”, admite o bispo.

Com a sede logística instalada na antiga Manutenção Militar – “é interessante dizer que um espaço que tratou da logística da guerra agora trata da logística da paz e fraternidade” -, é ali que Américo Aguiar passa cada vez mais hora diárias, já quase a tempo inteiro, para, com o resto da equipa, assegurar que tudo vai estar pronto quando o Papa chegar a Portugal em agosto de 2023.

Reconhecendo o apoio, que diz ser total, do Presidente da República – “o nosso pivô, o nosso maior embaixador” -, do Governo, dos autarcas de Lisboa e Loures e das diversas entidades com as quais dialoga com vista a ultrapassar dificuldades, Américo Aguiar realça a capacidade organizativa dos portugueses, nos diversos setores, englobando as forças de segurança e as Forças Armadas, ou os profissionais da saúde.

“Aqui qual é o problema?”, questiona, para responder de imediato: “É a escala. É que o problema é que nós podemos subir uma escada que vai de centena de milhar em centena de milhar”.

Admitindo que “o dossiê da mobilidade é dos mais importantes” com que a organização tem de lidar, face ao interesse manifestado por jovens dos quatro cantos do mundo, mas do continente americano, da América Latina e do Brasil, em particular.

“Quando olho para os números e para as previsões daquilo que vão partilhando, penso: [vai ser necessária] ou ponte aérea ou túnel oceânico”, diz a sorrir, acrescentando que “é uma temática que está já a ser trabalhada, quer com as autoridades do Estado competentes, quer com os vários agentes que são protagonistas e estamos a falar da gestão aeroportuária, das companhias aéreas, das agências de viagens, de todos os agentes que podem ajudar a ir ao encontro das expectativas” dos que querem vir a Portugal.

Entretanto, e porque para a JMJ Lisboa 2023 correr como o desejado é necessário que muitos setores estejam em funcionamento num período tradicional de férias, está a iniciar-se uma ação de “charme” junto de múltiplos parceiros.

“Há um conjunto de instituições com quem vamos começar a falar e pedir-lhes ajuda e compreensão e explicar-lhes aquilo que é o desígnio nacional da jornada, e estamos a falar de muitos profissionais, de muitas áreas, estamos a falar da saúde, da segurança, da restauração e muitas áreas que, em princípio, por tradição, se calhar vão de férias em agosto e, em agosto de 2023 nós vamos pedir que sejam connosco anfitriões daquilo que é a chegada da juventude do mundo inteiro” a Lisboa, afirma o bispo.

Américo Aguiar confia numa adesão ao apelo: “Acredito profundamente que somos capazes de assumir este desafio e vamos ter sucesso na sua concretização”.

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