Num discurso marcado pela enumeração de medidas que permitiram a reposição e valorização de direitos das pessoas, que atribuiu ao PCP (sem nunca se referir ao BE, o outro partido que assegura a maioria parlamentar que sustenta o Governo socialista), Jerónimo de Sousa alertou que este caminho “não encontra estrada para ser percorrida na extensão que se exige por opção do PS”.

“O que se alcançou, é bom que os trabalhadores e o povo tenham disso a consciência, foi porque o PS não tinha votos suficientes para impor a política que ao longo de quatro décadas fez sozinho ou com o PSD e o CDS”, não sendo “capaz de afirmar o que pretendia”, disse.

Falando num almoço de Natal que reuniu meio milhar de pessoas no pavilhão de exposições em Alpiarça (Santarém), Jerónimo de Sousa saudou o facto de este ano estarem na iniciativa mais 150 pessoas que no ano passado, sinal de que, “ao contrário dos vaticínios” que dão o partido como “morto ou moribundo”, mostra que este, “não só se aguenta, como cresce e avança”.

O líder comunista deixou mesmo um lema para ajudar a convencer os que reconhecem e até agradecem o trabalho do partido, mas não votam na CDU (Coligação Democrática Unitária, que integra o PCP e o PEV) por não conseguirem vencer a barreira do “preconceito”, afirmando que “o voto é sempre útil para quem o recebe, mas no PCP é útil para quem o dá”.

Jerónimo de Sousa desafiou a que se procure no programa do PS e no do Governo socialista as medidas que permitiram a reposição e conquista de direitos, citando, de uma canção, a frase ‘bem procuro, mas não encontro’, para afirmar que, “se essas medidas foram concretizadas, não é porque o PS quisesse, mas porque foi obrigado a aceitar as posições e as propostas do PCP”.

Para o secretário-geral comunista, “era possível ir mais longe”, mas o Governo socialista é “incapaz” de o fazer “em resultado das suas opções de classe, em convergência com o PSD e o CDS em eixos estruturantes da política de direita”, e por “se submeter aos interesses do grande capital e às imposições da União Europeia e do euro”.

“É verdade, o dinheiro não estica, mas se a prioridade é para tapar buracos da banca e dos banqueiros, se a prioridade é meter rodos de dinheiro no serviço da dívida, se é para ser mais papista que o papa em relação ao défice, naturalmente depois não chega para aumentar salários e responder às reivindicações e aos compromissos que foram assumidos” com professores, enfermeiros, forças de segurança ou oficiais de justiça, declarou.

Para Jerónimo de Sousa, Portugal “não tem ainda a política de que precisa” para o país “avançar a sério e ultrapassar os problemas sociais que se mantêm, e nalguns casos se agravam”, defendendo que “a verdadeira solução” está na “concretização de uma política patriótica e de esquerda”.