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Isabel Almeida Rodrigues, deputada do Partido Socialista dos Açores à Assembleia da República, reconheceu, esta terça-feira, o investimento feito no Centro Regional da RTP, mas considerou que o mesmo “apenas serviu para minimizar décadas de abandono que levaram as instalações, as condições de trabalho e do serviço público para níveis de degradação intoleráveis”.

A parlamentar referiu-se às condições geográficas e “constrangimentos imutáveis” da Região para questionar de que forma se pode “prestar um serviço público de qualidade”, no qual todas as ilhas da Região estejam representadas, “quando há ilhas sem correspondente e outras onde esses correspondentes têm de sujeitar a sua disponibilidade para trabalhar para a RTP aos seus horários de trabalho”.

“Uma notícia em São Miguel é sempre mais importante que uma notícia nas Flores?”, “a RTP está, ou não, disponível para apostar na profissionalização dos correspondentes, assegurar a cobertura de todas as ilhas e, por essa via, garantir mais proximidade e mais Açores na RTP Açores?”, questionou a parlamentar Socialista.

Na audição ao Presidente do Conselho de Administração da RTP, Nicolau Santos, no âmbito do requerimento apresentado pelo PS, a deputada destacou ainda que em termos de recursos humanos, e apenas na última década, “a RTP perdeu cerca de 30% de trabalhadores”.

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Antecipando o argumento do Conselho de Administração da RTP de que o investimento tecnológico requer menos recursos humanos, a parlamentar quis saber quantos colaboradores se encontram a recibo verde e a que áreas pertencem, questionando, uma vez que o custo destes trabalhadores é suportado pelo orçamento de grelha, “qual o peso destes colaboradores na grelha e se como pensa a RTP resolver a situação, libertando recursos que são fundamentais para que o serviço possa cumprir a sua missão”.

Isabel Almeida Rodrigues perguntou, ainda, quantos profissionais serão alocados ao Centro Regional dos Açores no quadro das admissões previstas pela empresa no seu plano de atividades para 2021 e se existe equiparação entre os trabalhadores da empresa no continente e os do Centro Regional dos Açores, no que respeita a remuneração no desempenho de funções idênticas.

A deputada abordou, também, o acervo documental significativo, cujo “tratamento requer recursos humanos com especialização adequada e também recursos técnicos e, apesar de nesta matéria ter sido feito algum investimento, quanto mais tempo passa maior é o risco de degradação e de perda de um património que é inestimável, insubstituível e valioso para todos os Açorianos e portugueses e que deveria estar acessível a todos”, lembrou a parlamentar.

“Na rádio nem existe equipa de arquivo, e sem equipa como pode ser assegurada a preservação deste património?”, perguntou Isabel Almeida Rodrigues, relevando ainda que, no caso da televisão, os oito profissionais que lá trabalham se encontram a menos de dez anos da idade da reforma, perguntando assim “que estratégia está a ser pensada pela empresa para responder de forma adequada a este problema”.

Isabel Almeida Rodrigues questionou, ainda, o Presidente do Conselho de Administração da RTP, S.A, sobre a visão da empresa para o Centro Regional, designadamente, se “uma visão minimalista, de cumprimento do mínimo dos mínimos ou uma visão em que o Conselho de Administração faça tudo o que está ao seu alcance para que a empresa possa responder, em termos de serviço público, à realidade regional e às responsabilidades que lhe cabem por via do contrato de concessão e que permita pensar no desenvolvimento e na qualificação do serviço público de rádio e televisão na Região”.

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