Interesses militares impedem descontaminação urgente nas Lajes

A descontaminação dos solos da ilha Terceira não foi ainda encarada com “assertividade, exigência e urgência” porque o Governo Regional e o Governo da República põem em primeiro lugar os “interesses do ponto de vista militar, político, estratégico” para a utilização da Base das Lajes no âmbito da NATO e da aposta militar da União Europeia.

Zuraida Soares considera que o facto de esta matéria estar entregue ao ministro dos Negócios Estrangeiros e ao ministro da Defesa, em vez de estar entregue ao ministro do Ambiente e ao ministro da Saúde, demonstra esta estratégia do Governo da República.

“Se o Governo da República quisesse tomar em mãos esta situação de forma séria e exigente entregaria este dossier ao ministro do Ambiente e ao ministro da Saúde”, disse a deputada do BE, que considera que se trata de uma “tentativa de desvalorização do crime ambiental e do problema de saúde pública”.

Referindo-se à recente visita do embaixador dos EUA em Portugal aos Açores, Zuraida Soares disse que diplomata “está a brincar com os terceirenses, com os Açores, com os órgãs de governo próprio desta região quando diz que está tudo a correr bem porque os contactos foram reforçados”.

O Bloco insiste que é urgente iniciar os trabalhos de descontaminação imediatamente, e refere que não há dúvidas sobre quem deve pagar: os EUA.

“Estamos fartos de saber de quem é a responsabilidade de pagar a descontaminação. Portugal não tem é coragem para cobrar”, lamenta Zuraida Soares.

“Temos que estar agradecidos pelo facto de os EUA terem assumido a responsabilidade pela porcaria que fizeram? Limparam um buraquinho? E depois? E o resto daquela ilha que está contaminada? E as pessoas que lá vivem? Acho muito poucochinho”, concluiu a deputada do BE.

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