Instituto Cultural de Ponta Delgada comemora 75 anos com publicações

Instituto Cultural de Ponta Delgada

O Instituto Cultural de Ponta Delgada, que assinala hoje 75 anos da sua fundação, está a trabalhar na publicação de obras de estrangeiros que visitaram os Açores, sobretudo no século XIX, foi hoje anunciado.

Henrique Aguiar Rodrigues, presidente da direção do Instituto Cultural de Ponta Delgada, criado em 1943 por um grupo de intelectuais das ilhas de São Miguel e Santa Maria, declarou à agência Lusa que se trata predominantemente de americanos e ingleses que produziram “vários diários, alguns deles com textos muito importantes”, estando o projeto de publicação a ser apoiado pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).

Entre os diários a publicar, encontram-se escritos reunidos em livro de literatura de viagens de John White Webster, cirurgião, geólogo e professor da Universidade de Harvard, que chegou à ilha de São Miguel em 1817, onde praticou medicina e conheceu a filha do vice-cônsul americano Harriet Fredrica Hickling, com quem se casou em 16 de maio de 1818, tendo sido eleito membro da Academia Americana de Artes e Ciências em 1823.

Henrique Aguiar Rodrigues destaca como outros dos projetos relevantes do instituto a digitalização de cinco mil fotografias do fotógrafo Gilberto Nóbrega que retratam vários aspetos sociais e culturais da ilha de São Miguel.

O projeto surge no âmbito de um protocolo de cooperação técnica e financeira celebrado com o Governo Regional para a salvaguarda da componente de interesse público do seu acervo fotográfico, que inclui espólios históricos dos fotógrafos José Pacheco Toste e Jacinto Óscar Dias Rego.

O responsável pelo Instituto Cultural de Ponta Delgada refere que na sequência desse projeto de digitalização do trabalho de Gilberto Nóbrega “há muitas pessoas a entregar fotografias antigas ao instituto, que se está a tentar descodificar e a digitalizar”, sendo que algumas delas estão já a ser publicadas no sítio na internet da instituição.

No primeiro número da revista Insulana, em 1944, uma revista de cultura açoriana e boletim da instituição, o presidente do Instituto Cultural de Ponta Delgada justificava a sua fundação pelo facto de se “impor à tradição literária da ilha de São Miguel, mantida através de todos os tempos, a organização de uma sociedade que congregasse todos os trabalhadores do espírito e lhes criasse, com o aparecimento de uma revista nossa, o estímulo de mais trabalho”.

O Instituto Cultural de Ponta Delgada tem sede na casa de Armando Côrtes-Rodrigues, poeta, dramaturgo e etnólogo micaelense, que foi um dos seus fundadores e seu primeiro secretário.

Em 2003, a Câmara Municipal de Ponta Delgada homenageou o Instituto Cultural com a Medalha de Mérito Municipal, tendo, dois anos depois, o então presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, declarado-o de utilidade pública.

Em 2007, a Assembleia Legislativa Regional dos Açores distinguiu o Instituto Cultural de Ponta Delgada com a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico.