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Um mural para homenagear os sinistrados do Vulcão dos Capelinhos, cuja erupção começou a 27 de setembro de 1957 e terminou mais de um ano depois, foi hoje inaugurado na ilha do Faial, nos Açores.

“A criação deste mural teve como objetivo homenagear todos os que sofreram com este evento inolvidável, bem como manter viva a memória da erupção que mudou drasticamente a ilha do Faial, tanto a nível económico como demográfico, cultural e social”, afirmou o secretário regional do Ambiente e Alterações Climáticas.

Alonso Miguel falava na inauguração do mural intitulado “Os Sinistrados do Vulcão”, criado na Casa dos Botes, no âmbito do encerramento das comemorações do 65.º aniversário da erupção que começou a 27 de setembro de 1957 e terminou mais de um ano depois, a 24 de outubro de 1958.

O mural foi concebido e executado pelos artistas Ana Correia e Pedro Braia, por solicitação do Governo Regional.

Citado numa nota de imprensa do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), o secretário regional do Ambiente sublinhou que, “ao longo de 13 dias, representando os 13 meses de duração da erupção dos Capelinhos”, nasceu “um memorial sublime, que muito honra e perpetua a história e relevância destes difíceis momentos nas vidas de tantos habitantes da ilha e também dos habitantes sazonais do aldeamento baleeiro”.

Este aldeamento baleeiro ficou “destruído pela erupção, tendo este evento vulcânico marcado o término em definitivo da atividade baleeira no Porto do Comprido”, acrescentou.

Segundo Alonso Miguel, “o edifício recuperado em 2011, que agora ostenta eternamente esta esplêndida e marcante imagem, constituía uma extensão da Antiga Fábrica da Baleia da baía de Porto Pim, e consistia no mais importante posto de caça ao cachalote na ilha do Faial”.

O Secretário Regional realçou que a Casa dos Botes possui um bote baleeiro original, o Senhora Santana, e uma exposição que “permite conhecer de perto e reviver o ambiente daquele que foi um dos ofícios mais perigosos e heroicos na tradição açoriana, essencial para a indústria da ilha e, consequentemente, para a subsistência económica das famílias locais”.

O governante lembrou que, “muito recentemente, o Monumento Natural do Vulcão dos Capelinhos foi incluído numa lista dos principais 100 sítios de interesse geológico do mundo, apresentada pela União Internacional das Ciências Geológicas, em finais do passado mês de outubro, em Zumaia, no País Basco, atendendo ao seu valor científico excecional”.

“A paisagem única que o Vulcão dos Capelinhos nos revela imponentemente, é outra herança que a erupção nos deixou, representando um património natural que nos cabe a todos preservar e proteger”, sublinhou.

Atualmente, o que resta da erupção, desgastada pelo vento e pelas ondas do mar, constitui uma das principais atrações turísticas da ilha do Faial, potenciada por um centro de interpretação subterrâneo, entretanto construído no local, que reúne toda a informação sobre a origem e as consequências do Vulcão dos Capelinhos.

Estima-se que 30% da população da ilha do Faial, onde atualmente residem perto de 15 mil pessoas, terão emigrado para os Estados Unidos e para o Canadá, aproveitando o “Azorean Refugee Act”, aprovado a 2 de setembro de 1958, através do qual foram emitidos, de forma excecional, milhares de vistos de emigração para cidadãos oriundos dos Açores.

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