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A Imprópria – Mostra de Cinema de Igualdade de Género está de regresso aos Açores, passando em outubro por São Miguel, em novembro por Santa Maria e, em dezembro, pela Terceira, utilizando a cultura para “fazer intervenção social”.

A quarta edição do festival de ‘curtas’, que também conta com várias iniciativas de intervenção na comunidade, vai arrancar em São Miguel, onde decorre de 21 a 27 de outubro, seguindo depois para Santa Maria, a 17 de novembro, terminando na Terceira, onde se realiza a 09 e 10 de dezembro.

“A Imprópria é uma mostra de cinema de igualdade de género, que através da cultura pretende fazer intervenção social”, explicou Natália Bautista, da organização, durante a apresentação do evento que decorreu hoje no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada.

A Imprópria vai apresentar 18 curtas-metragens, como a “I Love Hooligans” (2013), do holandês Jan-Dirk Bouw, “Diagrama do útero” (2014), da brasileira Bianca Rego, “Chelsea Manning Had Secrets” (2022), de Adam Butcher, ou ainda “Menina” (2016), do português Simão Cayatte.

“Eis um conjunto ambicioso, arrojado e diversificado de propostas cinematográficas, provenientes de várias latitudes, integralmente composto por produções dos últimos 10 anos, algumas em absoluta estreia nacional”, afirmou o curador da edição deste ano, Samuel Andrade, através de uma mensagem lida durante a apresentação por membros da organização.

O curador realçou que a programação do festival deste ano “convida à reflexão sobre a formação de consciência de género”.

“A temática da igualdade de género revela-se assim difundida nas suas diferentes manifestações, abordando maioritariamente preconceitos socioeconómicos, históricos, culturais, subjacentes às noções heteronormativas – ou não – de género”, assinalou.

Além dos filmes, a Imprópria integra um programa de intervenção social e comunitária, que vai levar o “debate sobre a igualdade de género” a várias escolas de São Miguel e Terceira.

O festival vai organizar ainda um conjunto de conversas e formações, como o “workshop sobre masculinidades” com Roy Galán ou a sessão sobre direitos sexuais e reprodutivos com a sexóloga Fernanda Mendes, que vão decorrer na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

Na apresentação, a vereadora da Câmara de Ponta Delgada Cristina Canto Tavares elogiou o contributo da mostra para a criação de uma “cidade inclusiva”, onde o “masculino e o feminino estão em igual representação”.

“A Imprópria não podia ser mais própria. É tempo de mover consciências através da arte”, defendeu.

A diretora regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social, Sandra Garcia, considerou a cultura como “essencial para abrir mentes” e “quebrar barreiras”.

“Precisámos muito dos artistas. Precisámos muito dos intelectuais. Precisámos muito das figuras públicas. Porque os jovens procuram nestas figuras, de certa maneira, o caminho. São líderes de opinião. Portanto, iniciativas como estas fazem de facto a diferença”, declarou.

A edição de 2022 da Imprópria vai homenagear a ativista e escritora Judite Canha Fernandes e a médica Fernanda Mendes, que esteve ligada à psiquiatria e foi deputada na Assembleia Regional dos Açores, eleita pelo PS.

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