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O deputado da Iniciativa Liberal no parlamento açoriano disse hoje estar “totalmente contra” mais dinheiro na SATA – Azores Airlines (deslocações para o exterior do arquipélago) para “salvar o maior ativo económico” da região, a SATA Air Açores (interilhas).

“A IL está totalmente contra a injeção de mais dinheiro de seja de quem for na SATA Azores Airlines [companhia aérea açoriana responsável pelas ligações de e para o exterior do arquipélago]. A sua dívida bruta representa 10% da dívida de 2.400 milhões de euros da região. O seu passivo acumulado ultrapassa os 10%. Se esta sangria não for travada, vai pôr em causa a SATA Air Azores”, alertou o deputado, com quem o PSD, que integra o Governo de coligação com o CDS-PP e o PPM, tem um acordo de incidência parlamentar.

Durante um debate sobre as finanças da região, Nuno Barata defendeu “nem mais um cêntimo para a Azores Airlines” para “salvar o maior ativo económico” da região, criticando ainda o avião cargueiro anunciado na terça-feira pelo Governo Regional, por não ter sido feito o seu “estudo económico”.

“Sabe onde é que se corta? Não é nos médicos ou nos professores. Corta-se nas nomeações de familiares para conselhos de administração de hospitais, nas nomeações de gente sem currículo para os gabinetes do Governo, para fazer face a clientelas partidárias. Corta-se na SATA e num cargueiro que não foi respondido aqui como vai ser pago, porque não foi feito o estudo económico”, defendeu.

Na quarta-feira, no plenário da Assembleia Legislativa, o secretário Regional das Finanças dos Açores revelou que o plano de reestruturação da companhia aérea açoriana SATA está “em vésperas de decisão final”, esperando-se uma conclusão das negociações com a União Europeia “nos próximos dias ou semanas”.

“Não podemos adiantar os contornos finais, mas a decisão deste Governo de salvar a SATA teve bom acolhimento nas instâncias comunitárias”, afirmou Duarte Freitas.

“Conquistámos a União Europeia para a importância da SATA, nomeadamente a SATA Air Açores e as implicações da Azores Airlines na nossa ‘menina dos olhos’. Vamos ter sucesso a resolver a trapalhada que nos deixaram”, salientou, durante um debate sobre transportes agendado pelo BE.

António Lima, do BE, defendeu que “salvar a SATA é também salvar a SATA Internacional”, formalmente designada por Azores Airlines, enquanto Pedro neves, do PAN, recusou “enterrar mais dinheiro num buraco negro”, referindo-se à SATA Internacional.

“O PAN não diz fechar a SATA, mas não coloca de lado a privatização da SATA Air Açores”, disse.

José Pacheco, deputado único do Chega, que tem um acordo de incidência parlamentar com o Governo Regional, lembrou que já defendeu “nem mais um cêntimo” para a SATA, acabando com as rotas deficitárias.

Carlos Furtado, deputado independente (ex-Chega), com quem o Governo Regional tem um acordo de incidência parlamentar, garantiu que vai cumprir os compromissos firmados com o executivo.

As dificuldades financeiras da SATA perduram desde, pelo menos, 2014, altura em que a companhia aérea detida na totalidade pelo Governo Regional dos Açores começou a registar prejuízos, entretanto agravados pela pandemia de covid-19.

Em novembro de 2021, o então secretário regional das Finanças dos Açores, Joaquim Bastos e Silva, indicou que estava a ser elaborada uma terceira versão do plano de reestruturação da SATA, que prevê uma alteração societária e a substituição de injeções de capital por absorção de dívida.

A Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados, sendo que, na atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM, dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um deputado independente (eleito pelo Chega).

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo de governação.

A coligação assinou ainda um acordo de incidência parlamentar com o Chega e com o deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega) e o PSD um acordo com a IL.

Estes três acordos são o que garante aos partidos do Governo os três votos necessários a uma maioria absoluta no parlamento (29 votos).

Se um destes três deputados deixar de apoiar o executivo, este passa a contar com 28 parlamentares, um número insuficiente para garantir maioria absoluta no hemiciclo (29).

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