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A Associação de Guias de Informação Turística dos Açores (AGITA) enviou uma carta aberta ao Governo Regional e aos deputados, através da qual alertam para a “grave” situação destes profissionais que se sentem “discriminados e abandonados à sua sorte”.

Na carta divulgada hoje, a AGITA refere que “muitos” daqueles profissionais “estão sem trabalhar desde outubro/novembro de 2019, uma vez que a época turística terminou nessa altura e iriam recomeçar a trabalhar quando foi declarada a pandemia“.

E agora com o fim desta “atípica” época turística, estes profissionais “sentem-se simplesmente discriminados e abandonados”, diz a carta, alegando que “alguns não foram elegíveis para os apoios” que existem devido à pandemia “o que torna a situação ainda mais grave”.

“Da parte do Turismo, apoios para nós não existem! Estamos tristes porque simplesmente os Guias de Informação Turística dos Açores foram abandonados à sua sorte. Não pedimos subsídios, pedimos trabalho”, lê-se na carta assinada pelo presidente da direção da AGITA, Paulo Jorge Caetano de Sousa Bettencourt.

O documento – enviado aos deputados da Assembleia Legislativa dos Açores, presidente do Governo Regional, vice-presidente do executivo e secretarias regionais da Energia, Ambiente e Turismo e da Solidariedade Social – alerta que, apesar da “crise no setor do turismo” ser “transversal”, há “trabalhadores que são claramente diferenciados”.

A associação sublinha que “não existe equidade social” e que há “uma gritante diferenciação de trabalhadores independentemente do que descontam”.

No caso dos Guias de Informação Turística, estes profissionais fazem parte “da tal atividade económica que trouxe milhões para os Açores e que iria trazer desenvolvimento económico”, e são trabalhadores que “investiram e muito na sua própria formação”, lembra.

“Muitos destes profissionais de informação turística, para além dos reveses que sofreram ao longo dos últimos anos com as alterações legislativas”, são trabalhadores independentes”, denuncia a carta.

Mas “também são trabalhadores do Turismo, muitos integrados nos trabalhadores independentes para receber um apoio que chegou ao fim no mês de agosto“, frisa a carta, dizendo ainda que no caso de um apoio, que “começou em setembro” e que “implica descontos obrigatórios nos próximos 30 meses”, este “mais não é que um empréstimo” e é “pouco claro”, porque “ainda não saíram os artigos a regulamentar este apoio”.

As “Câmaras Municipais de Ponta Delgada e da Ribeira Grande (São Miguel) desenvolveram e desenvolvem algumas atividades que permitem a alguns guias ter esperança e atenuar a grave crise que estamos a passar, mas estamos longe do período, se tudo correr bem lá para março do próximo ano”, de “ter algum trabalho”, diz a associação.

A AGITA alega que “desde março tem trocado diversa correspondência” com vários “departamentos do Governo Regional dos Açores” e que “a partir destes contactos foram então ouvidos” nas “questões que preocupavam” os profissionais, mas “grande parte caiu literalmente e infelizmente em saco roto”.

A associação pede “formações pagas”, alegando que “no âmbito da União Europeia há verba disponível para tal” e “certificações”, justificando que há “muitos e bons profissionais” que exercem “a atividade há muitos anos sem a devida certificação e que se podem enquadrar na legislação Regional”.

Defende que estes profissionais podem fazer trabalho em diversas áreas, nomeadamente na vertente ambiental, participar em campanhas de informação e divulgação turística ou serem tradutores no Serviço Regional de Saúde.

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