O direito à greve está devidamente salvaguardado no Artigo 57º da Constituição Portuguesa e foi um direito conquistado após duras lutas dos trabalhadores portugueses antes do 25 de Abril, já que esta “arma” era proibida antes da revolução dos cravos. É pois um direito inquestionável.

Passados 43 anos sobre o 25 de abril nunca este direito foi tão utilizado como agora. As greves multiplicam-se e atingem quase todos os setores de atividade e praticamente todas as profissões estão em greve ou já fizeram greve.

Quem vê os telejornais nacionais pode constatar que um espaço significativo dos “serviços noticiosos” é dedicado às greves e às explicações dadas pelos diferentes protagonistas ativos e passivos.

São os professores, os oficiais de justiça, os guardas prisionais, os juízes,  os polícias, os médicos, os enfermeiros, os estivadores, os ferroviários, etc., etc.

Uma característica comum às greves é que a maioria das profissões e setores que a realizam estão direta ou indiretamente dependentes do setor público.

A eficácia destas greves depende do lado em que se está, mas uma coisa é certa “as principais vítimas destas paralisações, mesmo que justas, são as próprias classes trabalhadoras”.

Basta ver as declarações das pessoas que desesperam à espera do comboio que os devia levar a Lisboa ou ao Porto, cidades onde têm o seu local de trabalho, ou os doentes que penam nos Hospitais na esperança de terem uma consulta que nunca mais chega.

Não está em causa o direito à greve mas a necessidade de ser encetada uma profunda reflexão sobre este País que parece estar doente, e isto só pode ser feito em Concertação Social.

Nenhuma economia e sociedade resistem a esta situação.

Lisboa e o Porto nos dias de hoje parecem a Babilónia.

Quem anda na rua só escuta pessoas, a deambular de um lado para o outro, a  falarem diferentes línguas, resultado da explosão do turismo que parece ter vindo para ficar.

Aliás, com o previsível aumento da utilização de máquinas e dos Robôs no processo de trabalho, isto levará no futuro à libertação de muita mão-de-obra e antecipação de reformas em Países como a China, que terão em destinos como Portugal um lugar de eleição.

O sol, bom peixe, praias, tranquilidade e um nível de vida  ao alcance da bolsa deles, são tudo ingredientes facilitadores desta procura.

Logo, se não fizerem muitas asneiras por Lisboa e Porto, o aumento da procura por parte de turistas é para continuar a par do acréscimo por estrangeiros na compra de terrenos e casas.

Evidentemente, que isto coloca o problema do aumento do custo de vida e do preço da habitação em Portugal, e se não aumentarem os rendimentos e pensões dos locais, então à Babilónia juntam-se mais Greves, e não só.

É que todo este processo, justamente por não ser pensado nem planeado, está a criar muitos excluídos.

Outra característica desta Babilónia dos nossos dias é o aparecimento, em exponencial, de mendigos e pedintes, a sua maioria de sexo feminino e com origem em Países do Leste.

É impressionante o número de casos destes, causando alguma estranheza já que países vizinhos daqueles de onde são originários estes mendigos, como são os casos da Republica Checa  e da Hungria, estão a viver períodos de forte expansão do turismo e de crescimento económico.

É intrigante uma situação destas e que a todos não deve deixar indiferentes, desde logo o Poder Municipal e depois o Governo, já que isto se passa precisamente no coração do Centralismo.