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No ano em que a codorniz-comum foi eleita em Portugal e na Espanha a Ave do Ano, vejamos o que se passa com a nossa codorniz açoriana que nasce, vive e morre nos Açores.

A Codorniz-dos-Açores, de nome científico Coturnix coturnix conturbans, é uma pequena ave que se encontra nos Açores praticamente desde o seu povoamento inicial, como nos é referido várias vezes por Gaspar Frutuoso (1522-1591) no seu monumental trabalho que são as “Saudades da Terra”.

Desenvolveu-se de uma forma espetacular durante o ciclo económico do trigo e de que eu tive o privilégio de apanhar na minha juventude os últimos resquícios, podendo ver com os meus olhos centenas de codornizes e dos seus filhotes nos campos de trigo das lombas da Povoação. A codorniz dos Açores é uma ave com comportamentos muito gregários, isto é, nascem e crescem no mesmo lugar, e na época da reprodução preferem morrer a abandonar o ninho. Nos dias de hoje os principais inimigos da sustentabilidade da codorniz açoriana são, a mudança do seu habitat, com a erva a eliminar os grãos, a maquinaria de corte da erva, que mata muitas codornizes no campo, os pesticidas e químicos, e os predadores, em que incluo as gaivotas. Mesmo com todas as adversidades e num meio ambiente hostil a codorniz dos Açores, embora em número mais reduzido, teima em resistir e a viver nos Açores. Já a chamei de rainha das aves dos Açores, enquanto a galinhola é a princesa com olhos de veludo da nossa montanha do Pico. Embora seja um crítico da política cinegética da Região Autónoma dos Açores não me canso de elogiar o trabalho realizado pela Direção Regional dos Recursos Florestais de recolher ovos da verdadeira codorniz brava Açoriana e tentar, com eles, manter a genética e a genuidade da nossa codorniz. Este trabalho deve prosseguir porque com ele está a defender-se o património natural dos Açores e que requer também medidas corretivas do atual habitat para que a nossa codorniz não desapareça.

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Finalmente, neste processo de regressão do efetivo da codorniz dos Açores, os verdadeiros caçadores tem pouca culpa, passando-se o mesmo em relação às outras espécies cinegéticas.

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