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“O grupo está aberto à participação dos faialenses que queiram dar o seu contributo sobre o que acham que o Faial verdadeiramente precisa”, explicou, na ocasião, Souto Gonçalves, 59 anos de idade, empresário e jornalista, que surge como primeiro candidato à Câmara da Horta num grupo denominado “Somos Faial”.

O grupo de cidadãos propõe aproximar os eleitos dos eleitores, descentralizando serviços nas freguesias rurais e criando “pontos de contacto” nas juntas de freguesias, para auxiliar os munícipes do concelho que sejam mais necessitados.

“Um idoso, por exemplo, não pode ir à cidade tratar de um assunto na Câmara. A Câmara é que tem que estar ao pé do idoso para lhe suprir as necessidades”, explicou o cabeça de lista deste grupo de independentes à Câmara e à Assembleia Municipal da Horta.

O grupo “Somos Faial” elege também as questões sociais como uma das suas principais batalhas políticas, considerando que “há gente que passa fome” no concelho da Horta, e como tal, “nunca se deveria construir um metro de estrada” enquanto existirem pessoas a comer “um papo-seco por dia”.

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“No Faial, com tantas casas desabitadas, nenhuma família deveria estar sem moradia, nem se deveria observar nas pesquisas da internet, preços de habitações como se fossem palácios”, insistiu o candidato, admitindo, no entanto, que a autarquia “não tem responsabilidades em muita coisa que está mal” na ilha.

Souto Gonçalves, que surge nesta corrida autárquica depois de se ter desentendido com algumas figuras ligadas ao PSD, partido do qual era militante, admite que foi “muito difícil” encontrar pessoas que aceitassem fazer parte de uma candidatura independente, por “inércia” por indisponibilidade ou por conveniência.

“Existem muitos cidadãos nesta ilha que poderiam, com reconhecida competência, assumir responsabilidades políticas? É verdade, existem! Mas onde é que eles estão?” questionou o candidato, para logo a seguir responder que “estão em casa de pantufas, com ideias brilhantes, mas incapazes de as porem em prática”.

No seu entender, este grupo de cidadãos pretende também marcar a diferença em matéria de gestão da autarquia, garantindo “mais rigor” nas contas públicas, “igualdade de oportunidades” a todos os munícipes, “justiça” nos atos administrativos e “qualidade” nos empreendimentos realizados.

O melhoramento do trânsito e do estacionamento na cidade da Horta e a revitalização do comércio tradicional, são também algumas das promessas deste grupo de cidadãos, para quem o porto e o aeroporto da Horta são também “temas obrigatórios”, que exigem ser resolvidos.

José Manuel Souto Gonçalves, que até há pouco tempo era deputado municipal eleito pelas listas do PSD, já exerceu também as funções de vereador social-democrata na Câmara da Horta, há cerca de 20 anos, quando concorreu, pela primeira vez, à presidência do município faialense, que é gerido há 32 anos consecutivos pelo Partido Socialista.

O Grupo de cidadãos “Somos Faial” terá agora de garantir cerca de 400 assinaturas, num universo de pouco mais de 13 mil inscritos, para formalizar a sua candidatura às eleições autárquicas deste ano.

O PS, que gere os destinos do município, elegeu em 2017 quatro dos sete mandatos em disputa na Câmara Municipal da Horta, contra três do PSD, mas perdeu a maioria na Assembleia Municipal, onde o PSD, o CDS, o PCP e um ex-deputado do PAN têm juntos mais votos que a bancada socialista.

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