Citada em nota de imprensa enviada hoje, Andreia Cardoso afirma que a sustentabilidade da região “está em causa, não só no corrente ano, mas naquilo que hipoteca, que condiciona no futuro, portanto, de 2022 em diante”.

“Há receitas extraordinárias que só ocorrem este ano e, não ocorrendo em anos subsequentes, nós entendemos que as opções que estão a ser tomadas, de facto, colocam em causa a sustentabilidade financeira da Região e, no fundo, entendemos que há uma utilização negligente dos recursos da região”, concretizou.

A vice-presidente da bancada parlamentar socialista falava no encerramento das jornadas parlamentares do PS, que aconteceram na ilha Terceira, e onde, entre quinta-feira e sábado, os membros do partido discutiram a proposta de Plano e Orçamento do Governo Regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM.

Quanto ao endividamento, o partido voltou a lembrar que “a região tem limitações naquilo que ao endividamento diz respeito e ao recurso aos empréstimos bancários”.

“Dessa primeira análise que fazemos, colocamos sérias dúvidas quanto ao enquadramento legal desse recurso ao endividamento e para os fins a que o Governo informou os deputados [a] que se destinavam”, prosseguiu.

Andreia Cardoso vincou que o PS só terá “uma posição definitiva sobre esta matéria [quando] terminada a discussão que ocorrerá na Assembleia Legislativa dos Açores”, mas reitera que “estes documentos traduzem uma preocupação mais na sustentação do Governo”, do que no futuro da região.

“Estes documentos traduzem uma soma de investimentos, em todas as ilhas e em muitas áreas, que, mais do refletirem uma estratégia do Governo Regional para o desenvolvimento socioeconómico dos Açores, refletem menos do que isto, ou seja, refletem uma soma de interesses, de interesses da coligação partidária”, sublinhou.

As jornadas parlamentares socialistas serviram como “momento de análise” complementado pelas “audições dos membros do Governos nas Comissões [parlamentares]”, mas também pela “auscultação dos parceiros” sociais que o Partido Socialista ouviu ao longo de três dias, como os Conselhos de Ilha, o Conselho Económico e Social dos Açores e entidades representativas dos trabalhadores, de empresários, agricultores, pescadores, médicos e enfermeiros, destaca a nota.

O primeiro Plano e Orçamento do Governo Regional formado em coligação entre PSD, CDS-PP e PPM, e que conta com um apoio de incidência parlamentar do Chega e da Iniciativa Liberal, vai ser discutido e votado na próxima sessão plenária do parlamento açoriano, de 20 a 23 de abril.

A proposta de Orçamento dos Açores para este ano é de cerca de 1.900 milhões de euros.