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Ponta Delgada, Açores, 24 jan 2022 (Lusa) – O subsecretário da Presidência dos Açores revelou hoje que o Governo Regional vai assumir uma “dívida”, contraída pelo anterior executivo socialista, para consolidar o projeto de Santa Maria da Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais, “com foco nas Flores”.

Pedro Faria e Castro especificou que o anterior Governo Regional, socialista, “não gastou dinheiro nas instalações da estação de Santa Maria da RAEGE [Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais]”, uma vez que o investimento “foi feito por uma empresa do grupo EDA – Empresa de Eletricidade dos Açores, a Segma”, estando-se agora a “planear o pagamento de uma dívida para consolidar o projeto de Santa Maria, mas com foco nas Flores”.

A RAEGE é a Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais e contempla duas estações no país, nas ilhas açorianas de Santa Maria e Flores.

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O governante falava na comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa Regional, na sequência de um requerimento do BE/Açores para ouvir o Governo Regional e o Instituto Geográfico Nacional de Espanha para esclarecer o futuro da estação da Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE) na ilha das Flores.

O governante admitiu que o valor inscrito no Plano e Orçamento dos Açores de 2023 “é muito reduzido” para a estação das Flores, mas assegurou que o Governo dos Açores vai “alocar as verbas possíveis” e suportáveis pelo orçamento regional, uma vez que “não se quer cometer os mesmos erros do passado” naquela ilha.

Pedro Faria e Castro referiu que o executivo açoriano mantém “todo o interesse” no projeto RAEGE, que estuda o planeta através de tecnologia espacial e contempla duas estações nas ilhas de Santa Maria e Flores.

Na audição, Pedro Faria e Castro considerou ainda que o memorando de entendimento celebrado com Instituto Geográfico Nacional de Espanha é “importante para os Açores”.

“Queremos cumprir, mas temos uma linha de entendimento diferente da que anteriormente foi tomada”, afirmou, acrescentando que se pretende avançar com o projeto, mas “tem que haver um resultado para a região”.

Por isso, adiantou, a região vai “procurar mais parceiros regionais, nacionais e internacionais”, no âmbito de uma “mudança de paradigma que ainda não foi feita”, pretendendo-se chamar para este projeto científico a Universidade dos Açores.

A estação da ilha de Santa Maria da Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais foi inaugurada em maio de 2015 tendo em vista a realização de estudos com aplicações em áreas como a proteção civil ou a indústria espacial.

Na ocasião, a estação da ilha de Santa Maria era uma das quatro estações previstas e a segunda a entrar em funcionamento, depois de ter sido inaugurada a de Yebes, em Gualajara, Espanha.

Previa-se, então, que a terceira estação ficasse no arquipélago das Canárias – o equipamento está em construção – e a quarta na ilha das Flores, com conclusão prevista para 2017, segundo informação revelada em 2015 à agência Lusa pelo Governo Regional açoriano.

Também numa audição na comissão parlamentar de Assuntos Sociais, a presidente do conselho de administração da RAEGE-AZ, Luísa Magalhães, afirmou que se pretende “paulatinamente equipar a estação das Flores, indo-se concorrer a projetos” para efeitos de investimento.

Em infraestruturas, o projeto deverá rondar os oito milhões de euros, acrescentou.

“A calendarização vai depender dos projetos que vamos angariar”, frisou, assegurando que o Governo Regional “nunca manifestou desinteresse, bem pelo contrário”, na estação das Flores.

Luísa Magalhães referiu ainda que o projeto da estação de Santa Maria “ainda não está consolidado” e que “procura-se financiamento para as Flores”, havendo neste momento contactos com o Governo da República para potenciais financiamentos.

A Comissão Parlamentar dos Assuntos Sociais convidou o Instituto Geográfico Nacional de Espanha a pronunciar-se sobre o projeto mas este declinou, tendo contudo, através de correio eletrónico, garantido o “grande interesse que se tem no projeto RAEGE e, portanto, na construção das estações de Yebes, Santa Maria, Gran Canária e Flores”.

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