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O secretário das Finanças dos Açores reconheceu hoje o “risco de uma espiral inflacionista”, assegurando que o Governo Regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM está “preparado para tomar as medidas necessárias para ajudar as famílias e as empresas”.

“A inflação é o mais injusto dos impostos”, frisou, sem especificar quais as medidas que estão a ser equacionadas para a região no âmbito dos reflexos que a atual conjuntura está a ter nas economias mundiais, nomeadamente devido à guerra na Ucrânia, num contexto de pós-pandemia de covid-19.

Duarte Freitas, que assumiu a pasta das Finanças em abril no âmbito de uma remodelação do Governo, disse hoje, no parlamento açoriano, que a região tem encargos financeiros futuros de quase 3.600 milhões de euros, com base no Relatório e Parecer do Tribunal de Contas sobre a Conta da Região de 2020 e os “valores da dívida pública dos Açores” reportados pelo Instituto Nacional de Estatística em setembro de 2021.

Vasco Cordeiro, do PS, garantiu que a dívida dos Açores no fim de 2020 era de 2.400 milhões de euros e considerou o debate “um ajuste de contas entre Duarte Freitas e Joaquim Bastos e Silva”, o anterior secretário Regional das Finanças até à remodelação de abril.

“Um Governo que, num ano e meio, aumenta a dívida em mais de 400 milhões de euros e agrava o défice em 360 milhões, vem agora invocar uma suposta herança? Este governo arvora-se em paladino da transparência, mas é o governo das meias verdades e da opacidade”, lamentou, questionando “quanto é que a região já recebeu e executou do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]”.

Carlos Silva, também do PS, disse que esperava do Governo Regional a apresentação de “medidas para responder às preocupações das empresas e das populações”.

“Afinal, continuamos a ter um governo apático”, criticou.

“Se o PS, em tempo de vacas gordas, não fez mais nada, a nós não podem pedir mais do que rigor, transparência, verdade e fazer diferente”, respondeu Duarte Freitas.

António Lima, do BE, considerou estranho que o Governo Regional quisesse fazer um “debate de urgência com uma conta de 2020”, considerando que o executivo “inaugurou uma nova fuga – a fuga para trás”.

Para o parlamentar, o que os açorianos querem saber “é quanto vão empobrecer este ano”.

O deputado do PAN, Pedro Neves, manifestou-se “desiludido” com a apresentação do secretário Regional e com a “digladiação entre PS e PSD” porque, perante a atual situação financeira os açorianos querem saber se podem “estar a prever uma nova austeridade”.

“O cabaz familiar aumentou, de janeiro a maio, 18,3%”, sublinhou.

Para a Iniciativa Liberal, o secretário das Finanças apresentou “uma mão cheia de nada”, defendendo a necessidade de “soluções de futuro, para escolher os melhores investimentos”.

“As responsabilidades são algo que vamos ter de pagar. Temos pela frente uma tarefa hercúlea”, disse o deputado Nuno Barata.

José Pacheco, do Chega, elogiou a apresentação das contas, considerando que “não deve haver opacidade ou cortinas de fumo com as contas, sejam elas boas ou muito más, como é o caso”.

O deputado independente Carlos Furtado destacou a “dificuldade” que será sair da atual “camisa de forças e arranjar quem esteja disponível a pagar a dívida”.

“O cerne da questão é mais do que um jogo de ‘ping pong’ [entre PS e PSD]. O desafio é como ajudar o futuro desta terra”, sustentou.

Pelo PSD, António Vasco Viveiros defendeu que a intenção do debate foi “discutir, com transparência, as responsabilidades que os açorianos vão pagar no futuro”, saudando o “exercício de verdade que nunca foi conveniente ao anterior governo socialista”.

Rui Martins, do CDS-PP, também considerou importantes os números apresentados, salientando que “importa saber o ponto de partida deste Governo” e manifestando-se convicto que “este Governo está no bom caminho”.

Do PPM, Paulo Estêvão destacou que “3.600 milhões de euros de dívida é uma brutalidade”, considerando que “as políticas de desenvolvimento do Governo estão altamente condicionadas por esta herança”.

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