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O Governo dos Açores criou uma comissão de projeto para avaliar o transporte aéreo de carga na região e a necessidade de recurso a um cargueiro aéreo, segundo um despacho publicado hoje em Jornal Oficial.

“Para além da necessária articulação e potenciação dos recursos existentes, deve ser ponderada a solução de um cargueiro aéreo”, lê-se no despacho assinado pelo vice-presidente do Governo Regional, Artur Lima, pelo secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, e pela secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral.

A comissão de projeto tem três meses para avaliar “as condições em que o transporte aéreo de produtos frescos perecíveis é efetuado dentro da Região Autónoma dos Açores” e a “necessidade de recorrer a um cargueiro aéreo, sem descurar a vertente económico-financeira”.

Deverá “efetuar o levantamento do número de frequências e de capacidade de carga oferecida e efetivamente transportada, quer pela concessionária do transporte aéreo interilhas, quer pelas companhias áreas que efetuam o transporte para o exterior da região, designadamente, para o continente português”.

A comissão vai ainda “proceder à auscultação das principais entidades representativas dos vários setores económicos envolvidos na importação e exportação de carga aérea” e “efetuar ‘benchmark’ dos diferentes tarifários aplicáveis à carga aérea”.

O executivo açoriano justifica o estudo com a necessidade de “implementar um sistema eficaz de transporte aéreo do pescado que o faça chegar rapidamente aos mercados relevantes, a custos competitivos, e com a “primordial importância” da “promoção e valorização junto do mercado nacional e europeu” de outros produtos frescos perecíveis, como carne, frutas e flores.

O despacho refere também as “graves distorções nos mercados piscícolas, agrícolas e agroalimentares” e a “escalada de preços da energia, das rações, dos fertilizantes e de outras matérias-primas essenciais à atividade económica”, provocadas pela guerra na Ucrânia.

A comissão de projeto integra o diretor regional da Mobilidade, Rui Coutinho, bem como o adjunto do vice-presidente do Governo Regional Emanuel Sousa, o adjunto do secretário regional das Finanças Bernardo Oliveira e o representante da SATA Air Açores (companhia que assegura as ligações aéreas interilhas) Tibério Almeida.

Em setembro, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas disse na Assembleia Legislativa dos Açores, numa resposta ao deputado do Chega, José Pacheco, que não era altura de “avançar com qualquer decisão” sobre o avião cargueiro.

“Com a enorme oferta de transporte aéreo realizado neste período [de época alta] para todas as ilhas, também se oferece mais transporte de carga. Esta é uma realidade que também temos de equacionar. Estamos na fase de estudar como o mercado se está a comportar. Não houve, ao longo deste verão, uma única reclamação, nem por falta de lugares para passageiros, nem por falta de capacidade para carga”, adiantou.

Berta Cabral tinha avançado, em maio, também no parlamento açoriano, que um dos aviões usados pela companhia açoriana SATA nas viagens entre as várias ilhas dos Açores ia ser transformado em cargueiro no fim do verão.

“Quanto ao transporte de carga aérea, está a ser analisada a solução que me parece a mais plausível após todas as diligências da SATA: a transformação de uma das aeronaves em cargueiro, no fim do verão de 2022”, disse na altura.

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