O concurso, cujo edital será publicado ainda esta semana, prevê que, entre 2019 e 2021, sejam alocados 200 mil euros para projetos de investigação científica e tecnológica na área das ciências sociais, sendo que, cada projeto, receberá um financiamento máximo de 25 mil euros, prevendo-se, assim, o apoio a “pelo menos oito projetos”.

Gui Menezes anunciou a medida durante a visita à sede da Cresaçor (Cooperativa Regional de Economia Solidária), em Ponta Delgada, e explicou que este concurso, inserido no âmbito do PRO-SCIENTIA, pretende apoiar iniciativas que não se insiram no RIS3, a estratégia de investigação e inovação para a especialização inteligente, que define como prioritárias para a região as áreas do mar, turismo e agricultura.

“As áreas das ciências sociais e humanas são tão importantes para o desenvolvimento como as outras áreas das ciências ditas mais naturais, exatas, porque elas também fazem investigação em áreas prioritárias para o governo regional, nomeadamente as áreas sociais”, considerou o governante, evidenciando a importância de criar “um suporte científico por trás das questões e do nível de atuação que estas ONGs ou centros de investigação efetuam nestas áreas”.

Este quadro de apoio “visa promover estas áreas e permitir que organizações não-governamentais colaborem com centros de investigação para, no fundo, valorizar o seu trabalho” e prevê a possibilidade de “articulação com outros projetos que já estejam a ser desenvolvidos e que podem ser associados a estes projetos que vão agora ser financiados”, esclareceu o secretário regional.

O Governo Regional retoma, assim, o financiamento a projetos científicos nas ciências sociais e humanas, depois de “um interregno de quatro anos de financiamento a estas áreas”.

O responsável pela tutela da Ciência ressalvou, no entanto, que, “na área do turismo, que tem algumas interligações com as áreas sociais e humanas, foram financiados cerca de dez projetos, no âmbito do financiamento normal de projetos de investigação normal incluídos no RIS3, no valor de 1,5 milhões de euros”.

Com estas medidas, o governo tenta “dar alguma previsibilidade aos concursos dos apoios à ciência e alguma regularidade, para que não haja hiatos e se consiga manter um ritmo de financiamento à ciência que, naturalmente, é muito importante”, afirmou.

Em declarações à agência Lusa, Célia Pereira, presidente do conselho de administração da Cresaçor, disse que vê “com bons olhos e com muito agrado esta oportunidade de financiamento”.

“Em economia solidária, um dos princípios que nós defendemos é, justamente, que sempre que possível, e sempre que há financiamento disponível nesse sentido, acompanharmos o desenvolvimento dos nossos projetos e atividades com projetos de investigação-ação, em que peritos daquela área de atividade acompanham o projeto e nos ajudam a avaliar o modo como o mesmo acontece e os resultados e o impacto que são alcançados”, explicou a dirigente da cooperativa.

A investigação mais recente em que participaram foi em 2014, altura em que, com a coordenação do professor José Manuel Henriques, do ISCTE, fizeram um estudo sobre a medida microcrédito e o empreendedorismo inclusivo nos açores, que deu “origem a uma série de recomendações, algumas das quais já foram implementadas”.

A Cresaçor – Cooperativa Regional de Economia Solidária atua no âmbito da luta contra a pobreza, tendo como objetivos a promoção do acesso à educação, formação e emprego, o apoio à criação e sustentabilidade de iniciativas de economia solidária e a prestação de serviços de consultoria económico-financeira a empresas de inserção social.

Fundada em 2000, a cooperativa conta com 25 colaboradores e mais de 50 parceiros, atuando em todas as ilhas do arquipélago.