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A Escola Secundária de Lagoa (ESL) recebeu esta quinta-feira, dia 30 de janeiro, mais uma Sessão de Educação Política e para a Cidadania, subordinada ao tema “Gestão de Recursos Naturais”, tendo sido orador convidado Rui Coutinho, doutorado em Geologia e vice-presidente da Quercus.

De salientar que, estas sessões são promovidas pela área da Cultura do Município de Lagoa, numa parceria com a ESL.

Neste ano letivo, 2019-2020, esta é a segunda sessão que aborda temáticas ambientais, sendo que, num total de seis sessões, três incidirão sobre estes assuntos que têm um impacto significativo no nosso planeta.

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Segundo Rui Coutinho, a gestão correta dos diversos recursos naturais é um desafio da Humanidade, referindo que, os mesmos “correspondem a todo o volume de uma dada matéria armazenada na Terra, sendo que nem todo este volume está disponível para uso imediato nas condições de mercado e com a tecnologia existente”. O palestrante ressalvou ainda que alguns recursos são renováveis, outros semi-renováveis, por estarem num estado intermédio, entre a capacidade de renovação ou de exaustão, e os não renováveis à escala humana, que não são regenerados numa escala temporal compatível com o Homem e implica a exaustão das reservas, por existirem numa quantidade finita no planeta e tendo um tempo de regeneração muito elevado.

O orador alertou os estudantes lagoenses para a necessidade de um consumo responsável da água, demonstrando que a quantidade de água doce no planeta é bem mais limitada do que aquilo que se pensa.

Passando, de seguida, para questões particulares da realidade açoriana recordou que o arquipélago açoriano situa-se numa encruzilhada entre três placas tectónicas, nomeadamente a Placa Norte Americana, a Placa Eurasiática e a Placa Africana, posição geográfica que determina a ocorrência de sismos e erupções vulcânicas frequentes.

Segundo Rui Coutinho, “saber viver no espaço que temos, é ter noção das limitações dos espaços onde vivemos”, fazendo também referência ao fenómeno natural que é à erosão do mar, que destrói tanto a orla costeira como as construções. Por outro lado, o convidado denunciou a atitude inadmissível e “criminosa” de sectores da população que espalham os seus resíduos pela ilha, considerando-a inexplicável face ao esforço das autarquias que se disponibilizam para receber todos os detritos. Recordou que essa atitude deplorável provoca contaminações, nomeadamente da água, através de roedores e outros animais que se alimentam nas lixeiras a céu aberto. Foi, igualmente abordado o tema dos microplásticos que estão disseminados no ambiente e chegam a estar presentes na nossa alimentação, como por exemplo no sal, afetando a nossa saúde.

Finalmente, Rui Coutinho, falou dos problemas climáticos fazendo referência ao aumento, significativo, do dióxido de carbono na atmosfera, de 42% desde o século XVIII, impulsionando o aumento da temperatura do ar e dos oceanos, provocando descongelamento da água, o qual se nota uma subida do nível médio global do mar de cerca de 20 centímetros, fazendo com que, a longo termo, algumas ilhas ou países possam ficar submersos.

Referiu, também, que tanto as ondas de calor, que afetam idosos e crianças, como os fenómenos meteorológicos extremos, como é o caso das cheias e inundações, têm um impacto na economia, energia, agricultura, floresta, industria, transportes e construção mas, principalmente, nas condições de vida e sobrevivência humana.

Concluída mais esta sessão a autarquia prossegue o seu propósito de, através da educação não-formal, sensibilizar os jovens lagoenses para a necessidade de se exercer uma cidadania mais ativa, mais crítica e reivindicativa de modo a fortalecer a participação cívica entendida como um pilar da vivência democrática.

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