PUB

Os presidentes de câmara da ilha das Flores, nos Açores, alertaram hoje para os “graves constrangimentos” na economia da ilha e roturas pontuais de alguns bens devido aos problemas de abastecimento por via marítima.

“A economia está a agonizar. A ilha não funciona só com os bens de primeira necessidade”, afirmou o presidente da Câmara Municipal das Lajes das Flores, Luís Maciel (PS), em declarações à agência Lusa.

Segundo o autarca, estava previsto um abastecimento para quinta-feira, com o navio ‘Ponta do Sol’, mas devido às condições do mar esta escala “já foi cancelada”.

PUB

“Este navio faz o abastecimento quinzenal. E já na semana passada foi cancelada esta viagem. A última vez que a ilha foi abastecida foi no último sábado, com o navio Thor, que trouxe só bens perecíveis”, indicou Luís Maciel.

Em 2019, o furacão ‘Lorenzo’ destruiu o molhe do único porto comercial das Flores, que voltou a ser afetado, em dezembro de 2022, devido à passagem da tempestade ‘Efrain’.

O presidente da Câmara das Lajes das Flores sustentou que “os abastecimentos residuais” têm permitido apenas trazer “alguma carga perecível”, pelo que “o problema está a agravar-se”.

“Não falta pão e leite, mas faltam outros bens. Vamos ao supermercado e já notamos falta de produtos nas prateleiras”, assinalou à Lusa o autarca.

Em “situação insustentável” está a economia da ilha, relatam ainda os autarcas, acrescentando que os empresários já têm manifestado a sua preocupação, nomeadamente nos setores da construção civil e agricultura.

“A economia da ilha não funciona só com a chegada destes bens e há um conjunto de empresas que, para funcionarem e poderem pagar os seus funcionários, precisam de ter faturação, precisam de ter trabalho, e desde o mês de dezembro que o abastecimento tem sido muito precário. É com muita dificuldade que a grande maioria das empresas consegue laborar”, sustentou Luís Maciel.

Também o presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores apontou para os “imensos prejuízos e constrangimentos” que os empresários estão a sentir, devido à instabilidade no normal abastecimento marítimo.

“Os empresário não poderão aguentar muito mais tempo. Em termos de bens essenciais tem havido algumas roturas, mas têm sido repostas e a situação tem-se mantido mais ou menos equilibrada”, explicou José Carlos Mendes (PS) à agência Lusa.

O autarca de Santa Cruz das Flores salientou que “tem sido possível abastecer” a ilha de “bens perecíveis”, mas “há um conjunto muito grande de materiais e equipamentos que não chegam”.

Tal coloca “em causa” o funcionamento de “muitos setores de atividade” e de “empresas”, porque “não conseguem funcionar sem receber os seus materiais e as suas matérias primas”.

Os autarcas depositam esperanças na chegada do navio ‘Margarethe’, que o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) vai fretar para operar, a partir de março, para assegurar o transporte de mercadorias para a ilha das Flores.

“O problema da ilha das Flores é uma questão de rapidez nas obras que têm de ser feitas, nomeadamente o reforço do antigo molhe que vai proteger a ponte cais. E tem de haver um barco que consiga fazer o abastecimento da ilha em condições”, vincou o autarca de Santa Cruz das Flores, José Carlos Mendes.

Pub