Filipe Tavares: Somos o maior vírus e a maior cura!

Se em Março vestia a pele de um alarmista (autoritário para alguns), se pedia isso e aquilo porque não via acontecer, não foi por falta de confiança nas entidades, autoridades ou nos donos disto tudo, foi por constatar que estavam atrasados, desorganizados, com falta de visão e muito pouco proativos! Tivemos muito tempo para nos prepararmos. Agora, só nos resta gerir a crise, da melhor forma que conseguirmos, e já não me interessam as novelas de circunstância: quem fez isto e aquilo, quando, como, porquê, e se!? Temos de dominar a situação e estar juntos na construção de uma sociedade maior. Não compactuo com grupos de fãs porque o assunto é sério e o “exército” de heróis é enorme e não apenas um, que também falha como qualquer outro ser humano. Apesar de tudo, temos gerido esta crise pandémica relativamente bem. Independentemente das “trapalhadas” que por vezes parecem esconder, também há muitos casos de sucesso, solidariedade e dedicação. E se há algo que marca o nosso Povo, é a vontade de ajudar, que vai sobrevivendo a todas as diferenças individuais que possam existir entre nós.

A República ficará na memória por nos ter negado aquilo que considero ser um direito “visceral” dos açorianos, o isolamento, tão necessário para protegermos as nossas ilhas frágeis, com alta incidência de doenças crónicas e onde o sistema de saúde trabalha ao limite e debruçado sobre a cura ao invés da prevenção. Ao lado da incapacidade, insegurança, desnorte e falta de brio de alguns, tem estado a valentia, sabedoria e dedicação de tantos outros profissionais de saúde, forças de segurança, governantes ou trabalhadores de outras áreas tão importantes neste momento avassalador. É tempo de revermos o nosso percurso com seriedade, investirmos na retoma económica possível e entrarmos numa nova realidade onde a prudência e a proteção individual deverão prevalecer.

Temos de olhar para esta crise pandémica como uma oportunidade de mudança, temos de refletir sobre o mundo que queremos daqui em diante. Temos de apostar na proteção e recuperação da biodiversidade, na melhoria da qualidade de vida, temos de mudar de paradigma no que ao consumismo e crescimento económico diz respeito. Menos posse e mais partilha, mais Humanidade. A ameaça deste e de outros vírus irá continuar. Saibamos viver com a responsabilidade e prudência que estes momentos exigem, sobretudo, tentemos não repetir os mesmos erros. Temos de ser melhores.

Numa outra perspectiva, a Terra está ameaçada por um vírus chamado humanos. Neste momento, o planeta, encontra-se numa fase de tratamento, uma pausa necessária que lhe permite respirar e recuperar forças. Deixemos de ser o vírus que destrói e passemos a ser a espécie que preserva. Sejamos a CURA do nosso PLANETA!