Por causa da pandemia da covid-19, o festival de Sundance, este ano, vai ser “um bocado diferente”, nas palavras da diretora, Tabitha Jackson, com grande parte da programação a ser exibida ‘online’, através da plataforma do evento, enquanto outros momentos vão acontecer fisicamente através de “ecrãs satélite”, espalhados pelos Estados Unidos.

“Apesar dos desafios que este ano [2020] trouxe, nada nos podia impedir de celebrar o cinema independente, artistas visionários, perspetivas únicas e vós, as nossas audiências aventureiras”, afirmou a diretora de Sundance, Tabitha Jackson em dezembro, quando anunciou a programação.

O festival dedicado ao cinema de produção independente decorrerá até 03 de fevereiro, sobretudo ‘online’, e com algumas sessões em sala, mediante as restritivas medidas de distanciamento.

No programa de curtas-metragens, está a coprodução portuguesa “Espíritos e rochas: Um mito açoriano”, da realizadora suíço-turca Aylin Gökmen, que será exibida hoje, no festival.

Foi através do programa de mobilidade Doc Nomads Erasmus e de um mestrado que a cineasta Aylin Gökmen chegou a Portugal, descobrindo nos Açores a ligação que queria explorar no filme, entre as pessoas e a natureza.

O filme foi rodado no arquipélago, em particular na ilha do Pico, em 2018, e serviu como projeto final de mestrado da realizadora, mas só em 2020 é que foi enviado para os festivais de cinema, tendo-se estreado no Festival de Locarno, na Suíça.

Em entrevista à agência Lusa, a realizadora contou que quis filmar paisagens, mas também a relação dos açorianos com a fé, com o isolamento e a emigração.

No festival de Sundance, também na competição de curtas-metragens, encontra-se a brasileira “Inabitável”, de Matheus Farias, enquanto na competição internacional de longas-metragens de ficção está “A Nuvem Rosa”, de Iuli Gerbase, outra produção brasileira.