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O presidente da Federação Agrícola dos Açores alertou hoje para “as exigências brutais” impostas pela União Europeia e repudiou o “desmantelamento do Ministério da Agricultura”.

“Não podemos ter o cãozinho e não ter as pulgas. Temos o dinheiro da Europa, temos de ter as pulguinhas precisamente para as irmos matando aos poucos que são as exigências brutais da União Europeia a todos os níveis”, afirmou Jorge Rita.

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O dirigente associativo, que é também vice-presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) falava no 30º aniversário da Federação Agrícola dos Açores, na Associação Agrícola da Ilha de São Miguel, em Santana, no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel.

“Falamos todos da Europa. Queremos as verbas e os apoios da Europa, que são justos e até deviam ser maiores. O problema é nós cumprimos ou querermos cumprir com as regras da Europa”, sustentou Jorge Rita, que preside também à Associação Agrícola da ilha de São Miguel.

O responsável sublinhou a importância económica da agricultura nos Açores, um setor que contribui ainda para a manutenção do emprego, fixação de população nos meios rurais e potencia “a paisagem extraordinária” do arquipélago açoriano.

“Ainda bem que na região o peso da agricultura é brutal comparativamente ao continente e outros países da União Europeia. Um setor vital na economia regional, porque o que se está a assistir a nível nacional, e do meu ponto de vista erradamente, é ao desmantelamento do Ministério da Agricultura”, apontou Jorge Rita.

Destacando a importância da Confederação de Agricultores de Portugal (CAP), o presidente da Federação Agrícola dos Açores considerou ainda que o “desmantelamento do ministério da Agricultura é praticamente desacreditar a própria agricultura” do país, que tem “uma capacidade exportadora excelente” e produtos de “extraordinária qualidade”

“Nos Açores, essa situação é inversa e ainda bem, até porque a pandemia veio realçar ainda mais a importância do setor agrícola na região”, assinalou Jorge Rita, para quem a “robustez também se faz com os apoios, com estratégias bem feitas” em matéria das produções de leite, carne e as produções agrícolas da Região.

O presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, repudiou o “desmantelamento” do ministério da Agricultura, reiterando a oposição da Confederação dos Agricultores de Portugal à transferência de competências de serviços regionais da agricultura para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional.

“Vivemos um momento de grande apreensão no continente”, sustentou, assinalando que “a função do Ministério da Agricultura é fazer a defesa” conjunta do setor de atividade económica e dos agricultores, face a uma atividade que “é o sustento de centenas de milhares de pessoas”.

O presidente do Governo dos Açores realçou o sucesso e o papel da Federação Agrícola dos Açores desde o nascimento da organização, frisando ser um “movimento agregador” que alcançou um “carisma”.

Para José Manuel Bolieiro, chefe do executivo açoriano de coligação PSD/CDS-PP/PPM, o movimento associativo deve ser “um verdadeiro” parceiro social do “diálogo e da concertação”.

O presidente do Governo açoriano defendeu ainda que o movimento associativo deve ser “voz ativa” e co-autor “na formulação de decisões das quais eles próprios são destinatários”.

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