Por culpa da pandemia da covid-19, a eliminatória não terá adeptos e, face às restrições britânicas, os jogos não terão como palco o Dragão e Stamford Bridge, ainda que possam ser os golos ‘fora’ a decidir o duplo combate do Ramón Sánchez Pijzuán.

No local onde em 2002/03 ganharam a Taça UEFA, numa final com o Celtic decidida no prolongamento (3-2), os ‘dragões’ procuram repetir o feito de 2003/04, única época em que ultrapassaram os ‘quartos’ — em 1993/94 era uma fase de grupos para oito.

Pela frente, o conjunto comandado por Sérgio Conceição terá, porém, um Chelsea bem mais poderoso do que era o Lyon de há 17 anos, que o FC Porto quase ‘deixou por terra’ no Dragão, com um 2-0 selado por Deco e Ricardo Carvalho. Depois, empatou 2-2 fora.

Os ‘blues’ são quartos na Premier League, em lugar ‘Champions’, estão nas meias-finais da Taça de Inglaterra e só perderam um de 15 jogos desde a chegada do treinador alemão Thomas Tuchel, que na época passada conduziu o Paris Saint-Germain à final.

Ainda assim, e depois de 10 vitórias e quatro empates, com 17 golos marcados e escassos dois consentidos, a derrota veio com ‘estrondo’, em forma de um 2-5 sofrido no sábado na receção ao West Bromwich, num embate em que os londrinos ficaram reduzidos a 10 unidades logo aos 29 minutos, quando venciam (1-0).

Foi apenas o terceiro jogo na curta ‘era’ Tuchel em que o Chelsea sofreu golos: manteve a sua baliza a zero em 12, incluindo no duelo dos ‘oitavos’ com o Atlético de Madrid (1-0 em Budapeste e 2-0 em casa), com o Manchester United ou o Liverpool.

A tarefa dos ‘dragões’ perspetiva-se, assim, complicada e é agravada para o primeiro jogo pelo facto de Sérgio Conceição estar privado de dois titulares, sobretudo de Sérgio Oliveira, que decidiu a eliminatória com a Juventus com um ‘bis’ em Turim.

No jogo de Itália, o cartão amarelo que viu aos 97 minutos tira-o da primeira mão dos ‘quartos’, cenário idêntico ao de Taremi, que foi expulsou por acumulação de amarelos no mesmo jogo, aos 54, por pontapear a bola com o jogo parado.

Sem o médio internacional luso e o avançado iraniano, Sérgio Conceição poderá optar pelo sérvio Grujic para o meio-campo e por colocar na frente Luis Díaz, sem bem que um esquema com três centrais seja sempre uma possibilidade.

No fim de semana, e ao contrário do Chelsea, o FC Porto saiu vitorioso, mas só conseguiu bater em casa o Santa Clara, por 2-1, na 25.ª ronda da I Liga portuguesa, com um golo apontado aos 90+5 minutos, pelo espanhol Toni Martínez.

Os ‘dragões’ poderão, assim, apresentar-se mais motivados e estabilizados, perante um Chelsea que, depois do estrondoso 2-5 com o West Brom, poderá questionar-se se, afinal, sempre é a fortaleza defensiva que parecia ser desde a chegada de Tuchel.

O encontro entre o FC Porto e o Chelsea, da primeira mão dos quartos de final da Liga dos Campeões, realiza-se na quarta-feira, pelas 21:00 locais (20:00 em Lisboa), não no Estádio do Dragão, mas no Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilha.

O reduto do conjunto da Andaluzia, que caiu nos ‘oitavos’ perante o Borussia Dortmund, será igualmente o palco da segunda mão, marcada para 13 de abril, no mesmo horário.

Detentor Bayern enfrenta ‘vice’ PSG sem Lewandowski

O Bayern Munique, detentor do título, vai ter de enfrentar o Paris Saint-Germain, que derrotou na final de 2019/20, desfalcado de Robert Lewandowski, no jogo ‘grande’ dos quartos de final da Liga dos Campeões em futebol

 

As primeiras jornadas de apuramento para o Mundial de 2022 causaram enorme mossa nos bávaros, com a lesão do polaco, o ‘The Best’ da FIFA em título, que esta época tem sido uma máquina goleadora, com 47 tentos, em apenas 42 jogos.

Sem o avançado de 32 anos, o conjunto germânico perde a sua referência ofensiva e vai apresentar-se claramente debilitado face ao Paris Saint-Germain, de Danilo Pereira, que, em contraciclo, tem o brasileiro Neymar a reaparecer.

Os comandados do argentino Maurício Pochettino ficam, assim, numa situação menos desfavorável para aceder pela terceira vez às meias-finais da ‘Champions’, repetindo 1994/95 e a época passada, em que só caíram face aos bávaros, na final de Lisboa.

Mesmo sem Lewandowski, autor de 73 golos na Liga dos Campeões, cinco dos quais na presente edição, o Bayern, de Hans-Dieter Flick, não deixa, porém, de manter as aspirações a uma oitava presença nas ‘meias’ nos últimos 10 anos.

A primeira mão realiza-se na quarta-feira, no Allianz Arena, em Munique, e o Bayern apresenta-se com uma invencibilidade na prova que vem desde 2018/19: depois do 1-3 com o Liverpool, em 13 de março de 2019, soma 18 vitórias e um empate.

Para contrariar este registo, e mais do que Neymar, o PSG conta com Kylian Mbappé, o jovem avançado francês de 22 anos que, nos oitavos de final, ‘arrasou’ o FC Barcelona em Nou Camp, com um ‘hat-trick’, para um total de quatro golos na eliminatória.

Se um dos grandes favoritos surge fragilizado, o outro, o Manchester City, que como o PSG persegue o primeiro título na competição, apresenta-se perto na máxima força face aos alemães do Borussia Dortmund, do ‘prodígio’ Erling Haaland.

Previsivelmente com os portugueses Rúben Dias, João Cancelo e Bernardo Silva no ‘onze’, na terça-feira, no Etihad, os ingleses partem como favoritos, face ao futebol de enorme qualidade que têm mostrado nos últimos meses e os aproximou de quatro títulos.

Os comandados de Pep Guardiola, que persegue um título que só arrebatou junto a Messi no FC Barcelona (2008/09 e 2010/11), são líderes destacadíssimos da Premier Legue, semi-finalistas da Taça de Inglaterra e finalista da Taça da Liga inglesa.

Com 25 vitórias nos últimos 26, sendo exceção um 0-2 com o vizinho United, os ‘citizens’ têm-se mostrado quase imparáveis, mesmo sem um goleador, um jogador que desequilibre na frente, o que não têm feito Agüero, Gabriel Jesus ou Sterling.

O City terá tudo exceto isso, enquanto o Dortmund tem, sobretudo, isso, um ponta de lança eficaz, um ‘monstro’ junto à baliza, personificado no norueguês Haaland, de 20 anos, que, em ‘míseros’ 14 jogos na ‘Champions’, já soma 20 golos, quatro dos quais apontados ao Sevilha, nos ‘oitavos’.

O avançado nórdico é a grande esperança dos germânicos, que contam no seu palmarés com um título europeu (1996/97) e chegaram ainda a uma final (2012/13) e outra meia-final (1997/98), contra apenas umas ‘meias’ dos ingleses (2015/16).

No mesmo dia, o Real Madrid, recordista de títulos europeus (13), recebe o Liverpool, que também já vai em seis, o último em 2018/19, num duelo entre clubes que têm cumprido épocas de muita irregularidade, nas exibições e resultados.

Os ‘merengues’ procuram as primeiras ‘meias’ depois da partida de Cristiano Ronaldo, e os ‘reds’ as terceiras em quatro anos, num duelo que pode ficar marcado pela ausência dos ‘patrões’ da defesa, respetivamente Sergio Ramos e Van Dijk, cuja grave lesão no início da época desequilibrou o ‘onze’ de Jürgen Klopp.

O francês Karim Benzema, autor de nove golos nos últimos sete jogos que disputou, é a grande força do ‘onze’ de Zinédine Zidane, enquanto o regressado português Diogo Jota pode ser um trunfo nos ‘reds’, sem esquecer, claro, os inevitáveis Salah e Mané.

Quanto ao outro encontro dos quartos de final, opõe, na neutra Sevilha, em Espanha, o campeão português FC Porto, única equipa fora dos países do ‘top 5’ que chegou aos ‘oitavos’, ao Chelsea, acabado de perder a invencibilidade na ‘era’ Thomas Tuchel.

Os ingleses, campeões da Europa em 2011/12, surgem como favoritos, face aos vencedores de 2003/04, num duelo que os ‘dragões’ começam — como anfitriões no ‘papel’ — desfalcados dos influentes Sérgio Oliveira e Taremi, ambos castigados.

Os jogos da segunda mão dos quartos de final realizam-se na semana seguinte. As meias-finais, que podem ditar um Bayern-City, disputam-se, depois, em 27 e 28 de abril e 04 e 05 de maio, com a final marcada para Istambul, na Turquia, em 29 de maio.