A época de Carnaval na Ilha Terceira, traz consigo uma enorme carga emocional.

Faz o povo terceirense vibrar de alegria, de rimas, de autoestima repleta de valores, que bailam nos corações entre as tradições e as exigências da vida moderna. É uma revisão dos acontecimentos do ano e uma valorização dos episódios memoráveis, uma critica ao negativo feita com humor e graça, e uma mensagem feroz sobre o que é importante melhorar. São vivências que saem de representações dignas de memória, de atores amadores que no anonimato merecem referência.

A Ilha Brava surge engalanada para a festa, com todos os seus palcos e salões a aquecer os corações, repleta de gente que vibra com os ditos oportunos e que fazem as delícias do povo.

Ano após ano, as novidades surgem e há sempre inovação. São as danças que apresentam música, instrumentos e vozes dignas de registo, são os temas que ainda hoje surpreendem e deixam a imaginação passear e concretizar-se em cima do palco em 40 minutos. É uma mão cheia de tudo. A ilha canta, surgem sorrisos de alegria e o povo é saudado com o especial dom de gente que ainda há poucas décadas era maioritariamente analfabeta, mas que hoje, oriunda de um povo moderno e culto, apresenta cantando a amizade e a partilha.

A ilha divina apresenta-se formosa, com um vestuário cada vez mais rico e de bom gosto, já com alguns estilistas no trabalho de retaguarda, que vale a pena registar e enaltecer.

A nossa cultura sobe aos palcos, com os feitos históricos das cidades de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória ou de Brianda Pereira, entre outros, que marcaram o passado e que são enaltecidos com rimas de uma qualidade brilhante e uma imaginação rica e diversificada.

As vivências da nossa modernidade e os dilemas da sociedade atual são apresentados com graça e crítica, que levam o povo a pensar, a opinar e a refletir.

Os nossos jovens são imprescindíveis neste nosso Carnaval e têm dado um grande contributo com as suas cantigas, sendo a luz dos nossos dias. Contudo, é o Carnaval sénior que aquece esta maratona carnavalesca. É muito importante a alegria com que as pessoas participam, envolvendo os Centros de Convívio da Terceira Idade e atuando nos três fins de semana que antecedem o Carnaval, propriamente dito. A alegria com que as pessoas de mais idade participam e assistem, se envolvem na preparação da roupa, do tema, do envolvimento, bem como a exigência da preparação das mesas, é comum aos 16 bailinhos que correram a Terceira.

Não podemos esquecer toda a envolvência no Carnaval terceirense, desde os aspetos económicos à circulação de pessoas, os transportes, as comidas e bebidas, tudo o que, afinal, faz parte da vida, ou seja, os teres e haveres da economia de ilha.

Importa, finalmente, referir que nos Estados Unidos e Canadá a saudade faz surgir muitas danças, que correm diversas sociedades e clubes onde a Terceira está presente e onde o Carnaval também é vivido intensamente, encurtecendo, assim, a distância entre a ilha e a Diáspora, distância essa que deixa de existir quando, como já vem sendo habitual, nos chegam do outro lado do Atlântico, danças “made in USA/Canada”, mas em tudo o resto tão nossas.

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