Quando se fala da Europa, não nos podemos esquecer que somos membros da União Europeia e que fazemos parte desta família. Por isso, o nosso voto nas Eleições Europeias do próximo mês de maio, é tão importante como o voto dos naturais da Bélgica, da Alemanha ou de outro qualquer Estado-membro da UE.

Vivemos numa democracia, ameaçada a cada dia que passa e que não pode ser banalizada, porque resulta de uma luta árdua, desenvolvida pelos nossos antecessores. Há que estar atentos, pois o melhor da democracia é todos poderem ter uma palavra a dizer. Através do voto mostramos a nossa opinião, vontade ou preferência, com base nas nossas crenças e valores e no que acreditamos ser melhor para o nosso ambiente e para a nossa vida social e económica, ao ritmo das novas tecnologias, dos avanços científicos e da capacidade de termos mais instrução e uma educação que nos permita trabalhar em qualquer país da Europa.

Como europeus, enfrentamos hoje muitos desafios, que vão da migração às alterações climáticas, do desemprego dos jovens à privacidade dos dados.

Há que acompanhar a modernidade e um dos objetivos europeus é haver harmonia no desenvolvimento dos parceiros e é nesse sentido que, no Parlamento Europeu, os deputados de todos os países defendem e apresentam as especificidades de cada região, sendo essa a sua enorme importância.

Não devemos esquecer o avanço de que a nossa sociedade açoriana usufruiu, o quanto nos aproximámos dos outros países, as acessibilidades por terra, mar ou ar e as respetivas infraestruturas.  Devemo-las à modernidade, à vontade de evoluirmos, pois vivemos num mundo cada vez mais global e competitivo, com inúmeros desafios inerentes.

Se falarmos de agricultura, não nos podemos esquecer de como as nossas lavouras deixaram as bilhas de leite, as carroças e a ordenha manual e passaram a usar tratores, a ter apoios de emparcelamento, e a ver no saneamento e no bem-estar animal uma necessidade constante. A formação dos jovens agricultores é uma realidade e os produtores de leite e de carne são acompanhados por técnicos e devidamente apoiados, podendo recorrer a análises para retificar terrenos, a inseminação artificial para melhorar rebanhos e, a custos controlados, produzir mais.

Também na pesca se registam diferenças. As nossas zonas piscatórias em nada se assemelham às de antigamente. Atualmente, a pesca é um modo de vida que atrai gente nova e que sabe orientar a sua atividade e acompanhar os tempos, com segurança e avanços técnicos. A venda nas lotas e o melhoramento do preço do peixe, o aperfeiçoamento da frota e a sua modernidade, originam estabilidade e atraem jovens, que veem na orientação e no apoio dados pela União Europeia uma inegável mais-valia.

É por tudo isto que o nosso voto é necessário. O nosso futuro depende da sensibilização do Parlamento Europeu para as especificidades de cada Região e só o nosso voto e a vontade que nele depositamos permitirá que o nosso deputado alerte a União Europeia para as nossas diferenças e necessidades.

Os açorianos são um caso exemplar da aplicação dos apoios europeus e do seu aproveitamento. Somos um espaço de paz e diversidade e a nossa Autonomia é respeitada. Vale a pena usar o voto, o instrumento de que dispomos, para cumprirmos o nosso direito como cidadãos e reivindicarmos uma Europa à qual também orgulhosamente pertencemos.