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Exposição permanente do Museu Francisco de Lacerda deve abrir no início do verão

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O Museu Francisco de Lacerda, na Calheta, em São Jorge, aguarda a conclusão do concurso público publicado hoje em Diário de República para abrir a exposição permanente, que deve acontecer no início do verão.

As novas instalações do Museu Francisco de Lacerda foram inauguradas na passada terça-feira, 10 de novembro, mas ainda sem as valências das exposições permanentes, do centro de documentação e biblioteca e de serviço educativo.

O concurso público hoje publicado em Diário da República “inclui a produção, fornecimento e instalação de suportes expositivos, artes gráficas, equipamento especializado e equipamento diverso”.

Com um valor base de 170.950 euros, este procedimento deve estar concluído em “finais de fevereiro” e o espaço de exposições deve estar plenamente funcional “no início do Verão”, adiantou a diretora regional da Cultura, Susana Goulart Costa, à Lusa.

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Neste museu de São Jorge, que homenageia o musicólogo, compositor e maestro jorgense Francisco de Lacerda, está patente, até 28 de fevereiro, a exposição temporária do Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas “Prazer do Espírito e do Olhar”.

A mostra reúne trabalhos de nove artistas regionais e nacionais que exploram “os temas da paisagem e da viagem” como “duas das dimensões essenciais à identidade e memória do território” açoriano.

Estão também previstas visitas mensais às reservas do museu e a os espetáculos “Quarteto Viagem em Concerto”, da Orquestra de Sopros da Ilha Terceira, a 21 de novembro, e a peça “Os Amores Encardidos de Padi e Balbina — Uma dúbia estória do Revenge”, pela mão da Companhia Cães do Mar.

As novas instalações deste museu ficam nos terrenos e edifício industrial da antiga fábrica de conservas Marie D`Anjou, em frente ao porto da Calheta, e incluem um núcleo dedicado à música, outro à ilha de São Jorge, e um terceiro dedicado à indústria conserveira.

Francisco de Lacerda (1869-1934) foi um pianista, maestro e compositor português, natural da Ilha de S. Jorge, que se fixou em Paris, no final do século XIX, onde estudou com Charles Widor e Vincent d`Indy – a quem sucedeu na classe de Orquestra do Conservatório de Paris, por indicação do mestre -, entre outros protagonistas da modernidade da época.

Nome da chamada escola francesa, a par de Gabriel Fauré, Francis Poulenc, Paul Dukas, Claude Debussy, com quem privou, Lacerda adquiriu notoriedade internacional sobretudo como maestro da Schola Cantorum, na viragem para o século XX, tendo trabalhado também com os regentes alemães Arthur Nikisch e Hans Richter.

Em vésperas da Grande Guerra de 1914-1918, regressou aos Açores, onde se dedicou à investigação da música tradicional, de que viria a resultar um primeiro Cancioneiro Musical Português, com melodias harmonizadas para canto e piano.

Foi um dos fundadores da associação Pró-Arte, e criou o projeto “Uma Hora de Arte”, em Lisboa, dedicado aos operários.

Na década de 1920, de novo em Paris, retomou a regência dos “Grands Concerts Classiques”. Em 1928, porém, a carreira internacional como maestro, cada vez mais reconhecida, cedeu à tuberculose.

De regresso a Portugal, retomou a investigação da música de origem popular, que manteve até à morte, em 1934.

Poemas sinfónicos, música para bailado, peças para órgão, piano, trios e quartetos de cordas, estão entre as suas principais obras, incluíndo as miniaturas “Trente-six histoires pour amuser les enfants d`un artiste”.

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