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Esta é uma das conclusões da análise feita pela Lusa a dois indicadores criados pelo Ministério da Educação para acompanhar os alunos durante cada ciclo: a conclusão no tempo esperado e os Percursos Diretos de Sucesso.

Ao longo da escolaridade obrigatória, do 1.º ciclo ao secundário, parece ser cada vez mais difícil para os estudantes concluírem o nível de ensino sem reprovar um ano letivo ou, no caso dos mais velhos, “chumbar” em algum exame nacional.

Observando a primeira metade dos 12 anos de escolaridade pelos quais têm de passar todas as crianças e jovens em Portugal, chegar ao final de cada um dos dois ciclos dentro do período expectável é a regra.

Logo nos primeiros anos, “chumbar” é raro e no ano letivo de 2018/19, a que se referem os dados mais recentes, a maioria (88%) dos alunos que concluiu o 1.º ciclo conseguiu fazê-lo nos habituais quatro anos.

O nível seguinte é o mais curto, composto apenas pelos 5.º e 6.º anos, e é também aquele que os alunos têm mais facilidade em concluir no tempo esperado, sem ficar para três em algum desses dois anos.

Entre os quase 99 mil estudantes que deveriam ter concluído o 2.º ciclo em 2019, cerca de 92 mil conseguiram cumprir esse objetivo sem reprovar um ano, o que representa uma média nacional de 93%.

No entanto, é a partir do 3.º ciclo que o percurso dos estudantes se complica com a entrada em cena das provas finais de avaliação externa.

O indicador percursos diretos de sucesso” tem isso em conta, analisando a percentagem de alunos com positiva nas duas provas finais do 9.º ano (Português e Matemática) e nos exames das duas disciplinas trienais do 12.º ano, após um percurso sem retenções nos dois anos de escolaridade anteriores.

No ano letivo 2018/19, a maioria dos alunos do 3.º ciclo e do secundário “chumbou”, pelo menos, um ano letivo ou num dos exames nacionais.

Nesse ano, em que apenas 46% dos alunos do 3.º ciclo conseguiram ter um percurso direto de sucesso, o insucesso atingiu mais de 51 mil jovens no 9.º ano do ensino geral e artístico.

A situação torna-se ainda mais problemática entre os mais velhos: da totalidade de alunos que chegaram ao 10.º em 2016/2017, menos de 26 mil finalistas terminaram o secundário sem reprovar, o que representa 43%.

Olhando para as escolas, o sucesso deste ponto de vista é a exceção na maioria delas e, entre os 577 estabelecimentos de ensino analisados, apenas 153 (26,5%) conseguiram que mais de metade dos seus alunos fizesse o secundário sem ficar para trás em algum dos três anos.

Também no 3.º ciclo isto acontece: em 689 das 1.219 escolas analisadas, a maioria dos alunos “chumbou” um ano ou teve negativa em pelo menos um dos exames nacionais, o que representa 56,5% da totalidade.

No entanto, e apesar das disparidades entre os quatro ciclos de estudo, a tendência tem sido idêntica em todos: melhorar.

Desde o ano letivo 2015/16, a taxa de conclusão no tempo esperado subiu seis pontos percentuais no 1.º ciclo e quatro pontos percentuais no 2.º ciclo. No 3.º ciclo e secundário, as melhorias são idênticas, com um aumento de sete e seis pontos percentuais, respetivamente, ao longo do mesmo período.

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