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O jovem central benfiquista António Silva, que nunca tinha estado numa convocatória, é a novidade na lista dos 26 eleitos de Portugal para o Mundial2022, que se realiza no Qatar, de 20 de novembro a 18 de dezembro.

O jogador que recentemente completou 19 anos conquistou a titularidade no Benfica e tem sido uma das grandes figuras dos ‘encarnados’ na época 2022/23, pelo que era mais do que esperada a sua chamada, ainda que não tenha internacionalizações ‘AA’.

António Silva é um dos quatro centrais chamados por Fernando Santos, juntamente com Pepe, que vai cumprir o seu quarto Mundial, Rúben Dias e Danilo Pereira, enquanto os laterais são João Cancelo, Diogo Dalot, Nuno Mendes e Raphaël Guerreiro.

De fora, ficaram, entre outros José Fonte, Tiago Djaló ou Mário Rui.

Quanto à baliza, aos ‘garantidos’ Diogo Costa e Rui Patrício, juntou-se José Sá, ‘caindo’ Anthony Lopes e Rui Silva.

Para o meio-campo, os eleitos foram William Carvalho, Rúben Neves, João Palhinha, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, João Mário, Vitinha, Matheus Nunes e Otávio.

Desta forma, não vão ao Qatar jogadores como João Moutinho, que conta 146 internacionalizações ‘AA’, e Renato Sanches, uma das figuras lusas no título europeu de 2016.

Quanto ao ataque, será liderado por Cristiano Ronaldo, que, aos 38 anos, vai ‘capitanear’ a equipa na sua quinta presença em Mundiais, depois de cinco europeus, e apesar de estar a viver uma época 2022/23 demasiado atribulada.

João Félix, Rafael Leão, André Silva, Ricardo Horta e Gonçalo Ramos são as outras opções ofensivas.

Pelo contrário, não entraram nos eleitos Diogo Jota e Pedro Neto (ambos lesionados) e Rafa (renunciou), as grandes baixas lusas para o Qatar, bem como Gonçalo Guedes e Pedro Gonçalves, que era mais forte hipótese de o Sporting ter um representante.

A fase final do Mundial2022 realiza-se no Qatar, de 20 de novembro a 18 de dezembro, e Portugal integra o Grupo H, defrontando sucessivamente Gana (24 de novembro), Uruguai (28) e Coreia do Sul (02 de dezembro).

Lista dos 26 convocados de Portugal

Lista dos 26 jogadores de Portugal convocados para o Campeonato do Mundo de futebol, que decorre no Qatar, entre 20 de novembro e 18 de dezembro, divulgada hoje:

– Guarda-redes: Diogo Costa (FC Porto), José Sá (Wolverhampton, Ing) e Rui Patrício (Roma, Ita).

– Defesas: Diogo Dalot (Manchester United, Ing), João Cancelo (Manchester City, Ing), Pepe (FC Porto), Rúben Dias (Manchester City, Ing), Danilo Pereira (Paris Saint-Germain, Fra), António Silva (Benfica), Nuno Mendes (Paris Saint-Germain, Fra) e Raphaël Guerreiro (Borussia Dortmund, Ale).

– Médios: Palhinha (Fulham, Ing), Rúben Neves (Wolverhampton, Ing), Bernardo Silva (Manchester City, Ing), Bruno Fernandes (Manchester United, Ing), João Mário (Benfica), Matheus Nunes (Wolverhampton, Ing), Otávio (FC Porto), Vitinha (Paris Saint-Germain, Fra) e William Carvalho (Betis, Esp).

– Avançados: André Silva (Leipzig, Ale), Cristiano Ronaldo (Manchester United, Ing), Gonçalo Ramos (Benfica), João Félix (Atlético de Madrid, Esp), Rafael Leão (AC Milan, Ita) e Ricardo Horta (Sporting de Braga).

Recordista Ronaldo encabeça 10 repetentes lusos em mundiais

Dez dos 26 jogadores portugueses chamados para o Qatar repetem a presença numa fase final de um Campeonato do Mundo de futebol, numa lista encabeçada pelo capitão Cristiano Ronaldo, recordista entre os eleitos lusos.

Rui Patrício, Raphaël Guerreiro, Pepe, Rúben Dias, William Carvalho, Bernardo Silva, João Mário, Bruno Fernandes, Cristiano Ronaldo e André Silva são os repetentes de 2018, em que a equipa das ‘quinas’ se ficou pelos oitavos de final, então eliminada pelo Uruguai, que será adversário da seleção nacional na fase de grupos do Mundial2022.

O avançado do Manchester United vai participar pela quinta vez num Mundial, depois de ter estado no Alemanha2006, África do Sul2010, Brasil2014 e Rússia2018, sendo que nos últimos três já envergava a braçadeira de capitão, contando com 17 jogos e sete golos na principal prova de seleções.

Aos 37 anos, Ronaldo vai para a 10.ª fase final de uma grande competição internacional com Portugal, uma vez que, aos cinco mundiais que vai passar a somar, tem ainda cinco participações em campeonatos da Europa (2004, 2008, 2012, 2016 e 2020).

O segundo jogador com mais mundiais pela seleção portuguesa é Pepe, central do FC Porto, hoje convocado pela quarta vez, após presenças em 2010, 2014 e 2018 (oito jogos e um golo).

O mais velho entre os 26 convocados por Fernando Santos, com 39 anos, e também o segundo mais internacional deste lote (128 partidas), apenas atrás de Ronaldo (191), conta ainda com presenças nos europeus de 2008, 2012, 2016 e 2020, pelo que, em termos globais, esta será a oitava fase final do defesa luso-brasileiro.

Seguem-se o guarda-redes Rui Patrício e o médio William Carvalho – precisamente o terceiro e o quarto mais internacionais entre os eleitos, respetivamente com 104 e 75 – ambos presentes em 2014 e 2018, e que hoje viram confirmada a terceira chamada.

Os restantes seis ‘repetentes’ vão para o seu segundo Mundial, como são os casos de Raphaël Guerreiro, Rúben Dias, Bernardo Silva, João Mário, Bruno Fernandes e André Silva, todos eles convocados para a campanha lusa no Mundial2018.

Desta forma, mais de metade (16) dos jogadores convocados para o Qatar vai participar pela primeira vez num Campeonato do Mundo, com o central António Silva, o mais jovem entre os eleitos (19 anos), à cabeça: será estreante não só em fases finais, como em chamadas à seleção AA.

Tal como o defesa do Benfica, vão estar pela primeira vez num Mundial os guarda-redes Diogo Costa e José Sá, os defesas Diogo Dalot, João Cancelo, Danilo Pereira e Nuno Mendes, os médios Palhinha, Rúben Neves, Matheus Nunes, Otávio e Vitinha, e os avançados Gonçalo Ramos, João Félix, Rafael Leão e Ricardo Horta.

O Campeonato do Mundo realiza-se no Qatar, entre 20 de novembro e 18 de dezembro.

Portugal está integrado no grupo H, juntamente com Uruguai, Gana e Coreia do Sul, de Paulo Bento, tendo estreia marcada na competição para 24 de novembro, diante dos ganeses, no Estádio 974, em Doha.

Santos chama António Silva e preserva as ‘cartas do baralho’

A seleção portuguesa nunca teve, porventura, um leque de futebolistas com tanta qualidade e quantidade para integrarem uma convocatória, mas Fernando Santos foi fiel a si próprio e não apresentou qualquer surpresa nos 26 escolhidos para o Mundial2022.

Nem a chamada de António Silva pode ser considerada uma ‘carta fora do baralho’, dada a ascensão meteórica do central do Benfica, com exibições categóricas e consecutivas no campeonato e na Liga dos Campeões, que faziam prever a sua convocatória para a fase final, até por declarações do próprio Fernando Santos, que indiciavam essa chamada.

Na baliza nada de novo, Diogo Costa, apesar dos seus 23 anos, parte já como ‘número 1’ para o Mundial, não só pela época que tem vindo a fazer ao serviço do FC Porto, também com exibições categóricas na ‘Champions’, mas também pela vantagem que tem sobre aquele que tem sido titular na última década, Rui Patrício, em relação ao jogo de pés, o ‘calcanhar de Aquiles’ do guarda-redes da Roma.

Seja como for, Patrício parte em segundo lugar na hierarquia dos guarda-redes, cabendo o terceiro posto a José Sá, do Wolverhampton, que já sofreu 22 golos em 14 jornadas na Premier League, muito por culpa das saídas dos centrais Saiss e Coady, que eram o sustentáculo de uma defesa sólida, que permitia aos seus velocistas na frente fazerem estragos no contra-ataque.

Na defesa não subsistia qualquer dúvida acerca dos oito escolhidos por Fernando Santos, desde que Pepe recuperasse da lesão, como sucedeu, que o colocou fora de ação durante o último mês e meio, mesmo sabendo que o central portista vai sem ter ritmo de competição nas pernas.

A opção pelos dois laterais direitos é pacífica, João Cancelo é um dos melhores do mundo, apesar de algumas desconcentrações comprometedoras de que tem sido protagonista pelo Manchester City nos últimos jogos, e Diogo Dalot tem-se afirmado de forma indiscutível como titular do Manchester United, superando a concorrência de Nelson Semedo e Cédric, além de ser já aposta de Fernando Santos, mesmo quando não tinha ganho o estatuto que tem hoje.

No eixo da defesa, além de Pepe, Rúben Dias tem lugar seguro como titular, ele que tem sido um dos pilares defensivos da seleção nos últimos anos, enquanto Danilo será a primeira opção para render a dupla, e António Silva integra os 26 por mérito próprio, embora seja improvável a sua utilização, até pela falta de rotina que tem com os outros três.

No lado esquerdo da defesa, Raphaël Guerreiro é uma escolha óbvia de Fernando Santos, que nunca escondeu a sua admiração pelo lateral do Dortmund e campeão europeu em 2016, embora envolva algum risco, dada a predisposição deste para mialgias e lesões musculares, risco esse minimizado pela polivalência de Dalot e Cancelo, que podem jogar no lado esquerdo.

A convocatória do lateral esquerdo Nuno Mendes também não sofre contestação, dada a rapidez com que se afirmou numa equipa de topo como o Paris Saint-Germain, e se no lado direito Cancelo parte à frente de Dalot, no esquerdo subsistem dúvidas sobre a opção que Fernando Santos vai tomar em relação à titularidade.

No meio-campo, Fernando Santos também não ousou ao apostar no ‘núcleo duro’ pós-Mundial2018, formado por William Carvalho, João Mário, que já vêm do Euro2016, Rúben Neves, Bernardo Silva e Bruno Fernandes, a juntar ao ‘sangue novo’ no qual já apostara, com Matheus Nunes, Vitinha e Otávio, além de Palhinha, que beneficia do recuo de Danilo como opção no eixo da defesa, apesar de não ser um dos ‘preferidos’ do selecionador.

De assinalar a opção de deixar de fora o médio Renato Sanches, cujas características contrastam com as dos restantes médios, por ser um jogador capaz de fazer ruturas, de transportar a bola e ‘queimar linhas’, ao invés dos outros, que são mais de toque de bola, com exceção de Matheus Nunes.

Fernando Santos acabou por optar pelo ex-sportinguista, que é um jogador que pode ser muito útil quando a equipa estiver numa posição de vantagem e a ser pressionada, e não foi propriamente uma surpresa, tendo em conta que o selecionador tem dificuldade, como já o demonstrou no passado, em ‘digerir’ alguma indisciplina tática de Renato Sanches.

Por outro lado, médio do FC Porto Otávio dá a Fernando Santos mais opções em termos táticos, permitindo à equipa jogar em 4x4x2 ou 4x3x3, conforme o adversário e a estratégia a seguir, por ser muito versátil, agressivo na recuperação da bola e pelas garantias que oferece em termos de cobertura defensiva, além de ser um jogador tecnicamente evoluído, que defende, mas também ataca bem.

No setor atacante, a decisão do selecionador em convocar Gonçalo Ramos, deixando de fora Gonçalo Guedes, constituiu uma meia surpresa, em função da escassez de opções para as alas no ataque, contando apenas com um jogador rotinado nessas zonas do campo que é Rafael Leão.

Não podendo contar com Pedro Neto e Diogo Jota, ambos por lesão, era expectável que Fernando Santos chamasse Guedes, que tem a rotina da posição, mas o técnico optou por Ramos, que pode jogar como ponta de lança, ou como segundo avançado, e que aporta à equipa a sua disponibilidade física e capacidade que tem de pressionar e de disputar todas as bolas.

Se jogar com Cristiano Ronaldo na frente, o segundo avançado terá forçosamente de ter essas características para compensar o facto do avançado do Manchester United não fazer esse trabalho.

A chamada de André Silva já era previsível, porque Fernando Santos levou sempre às fases finais um ponta de lança de raiz e o avançado do Leipzig tem vindo a jogar com maior regularidade do que no início da época.

Não surpreenderam também as convocatórias de João Félix, que tem sido sempre opção de Fernando Santos, mesmo quando foi declaradamente suplente no Atlético Madrid, como acontece neste momento, de Ricardo Horta, que correspondeu sempre que foi chamado e cuja versatilidade pode ser muito útil à seleção.

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