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A esquerda parlamentar deixou hoje críticas ao Governo, com o BE a acusar o executivo de aplicar uma política do “esperar que passe” e o PCP a responsabilizar os socialistas pelo agravamento dos problemas estruturais do país

No período das intervenções de fundo, no debate sobre o estado da nação que decorre hoje na Assembleia da República, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu que “as opções políticas do Governo PS agravam objetivamente problemas e défices estruturais do país”.

“Sacrificam os direitos dos trabalhadores e do povo e o futuro nacional em nome da satisfação dos grandes interesses económicos. Por isso, o PS não encontra verdadeira oposição por parte dos partidos à sua direita”, sustentou.

Na opinião do líder comunista, “ainda que procurem aproveitar-se do descontentamento popular que resulta das opções do Governo e se dediquem a exacerbar a confrontação retórica com o PS procurando encenar divergências, a verdade é que PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal não têm alternativa a propor à política executada pelo PS, que tem como critério a satisfação dos grandes interesses económicos”.

“O futuro de Portugal não se constrói com as opções da política de direita, mas sim com uma política alternativa, patriótica e de esquerda que rompa com a dependência externa e a submissão às imposições da União Europeia, que assegure um caminho soberano de desenvolvimento nacional, progresso, de crescimento económico, de cultura, justiça social e de apoios sociais encarados como realmente o são: direitos, e não favores ou caridade para os mais desfavorecidos”, sublinhou.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, lembrou a necessidade de um “investimento estrutural no Serviço Nacional de Saúde”.

“Em junho deste ano, quando as urgências entraram em rutura, o primeiro-ministro garantia que, passando o fim de semana, tudo se resolveria. Poderia parecer apenas – e não seria pouco – um insulto aos profissionais do SNS, mas é também uma forma de governação: esperar que passe. E não há emergência que acelere o Governo”, defendeu.

Na opinião da líder bloquista, “esta inação do Governo é uma decisão e uma estratégia política”.

“O corte indireto de salários é corte de salários. Essa é a escolha desta maioria absoluta. Dirá o Governo, se não fossemos nós seria pior. Triste governação, a que não propõe nada ao país, que procura atribuir a cada cidadão a responsabilidade que o governo não assume, que encontra em cada dificuldade uma desculpa para a inação e nunca o dever de agir, que apresenta como única virtude ser melhor do que a desgraça que a direita promete. Quem leva o país para a frente merecia melhor”, criticou.

Catarina Martins censurou ainda o facto de o primeiro-ministro, António Costa, ter ignorado momentos antes as 17 perguntas que lhe foram colocadas por deputados de todos os grupos parlamentares, tendo respondido de uma única vez.

“Esta recusa em responder é o estado da maioria absoluta e ainda passaram pouco mais de 100 dias desde que o Governo iniciou funções”, lamentou.

Já o deputado único do Livre, Rui Tavares, apelou a um “país capaz de criar um novo modelo de financiamento do ensino superior” ou “um país que, através da aposta na revolução energética, da planificação ecológica, crie uma sociedade de dignidade e de dinamismo económico”.

“Um país que valorize pessoas, conhecimento e território. Esse país existe, é o nosso e temos a responsabilidade de o criar”, disse.

Para Rui Tavares, o plano para a próxima década “não pode ser esperar que passe”

“O plano tem que ser tocar a rebate, falar diretamente às pessoas, dizer-lhes que contamos com todas elas, dizer que precisamos que todos tenham consciência de que estas oportunidades não se desperdiçam, porque a história será tudo menos bondosa com quem desperdiçar estas oportunidades”, rematou.

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