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O professor universitário Fernando Veloso Gomes defendeu hoje a necessidade de se adotar uma “estratégia adaptativa” para os portos dos Açores, face a fatores como as alterações climáticas e o “aumento dramático” da dimensão dos navios.

O docente, jubilado pela Faculdade de Engenharia do Porto – FEUP, considerou que se está “perante uma situação de dinâmicas que não apenas naturais, como as alterações climáticas, estando a haver a nível mundial um aumento dramático da dimensão dos navios e das condições de exigência de segurança e de operacionalidade”, que muitas vezes requerem “intervenções no que já existe”.

O especialista prestava declarações à agência Lusa na sequência da sua intervenção no 1.º Encontro “da Costa e do Mar”, organizado por Helena Calado, da Universidade dos Açores, com patrocínio do Governo Regional dos Açores, e realizado em Ponta Delgada.

O evento “constitui um momento excecional de reflexão dos intervenientes na busca de uma visão holística na abordagem à sustentabilidade dos oceanos e das zonas costeiras”, segundo a organização.

Fernando Gomes considerou que, num “cenário de mudança, a questão fundamental neste momento é a incerteza”, sendo que a “capacidade de projeção do futuro ainda é muito limitada, apesar dos espetaculares avançados científicos que existiram”.

“Temos que trabalhar, portanto, com cenários. Quando falamos no nível médio das águas do mar qual é esta subida e com que horizonte – 10, 20 ou 50 anos? Quando falamos da alteração dos possíveis rumos dos temporais está-se a falar de um fenómeno relativamente recente em relação ao qual há uma incerteza”, afirmou o professor jubilado.

Fernando Gomes, que já trabalhou em várias ilhas dos Açores, sendo conhecedor da sua realidade portuária, referiu que num ambiente de incerteza “há que trabalhar com planeamento adaptativo, com vários cenários e hipóteses”, havendo que “preparar medidas previamente para serem implementadas”.

Além de medidas técnicas, o especialista ressalvou que “há medidas extremas” que se podem adotar, como “acabar com um porto que deixa de ter condições, indo para outro local”.

Na leitura do professor universitário, os portos vão ser “cada vez mais exigentes em termos de segurança de pessoas, de bens, de combustíveis, de produtos químicos”, podendo, “mais cedo ou mais tarde, haver muitas infraestruturas que poderão funcionar em situações normais e haver, por ilha, pelo menos uma infraestrutura muito mais reforçada e preparada para situações extremas”.

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