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A Escola de Violas da Terra da Fajã de Baixo “duplicou” este ano o número de alunos em aprendizagem daquele instrumento musical de cordas típico dos Açores, contando com 15 inscritos, dos 9 aos 76 anos, foi hoje anunciado.

Rafael Carvalho, que preside à Associação de Juventude Viola da Terra, adiantou à agência Lusa que a escola da Fajã de Baixo, uma das três existentes na ilha de São Miguel, “iniciou a sua atividade em 2008” e que, no presente ano letivo, “duplicou o número de alunos inscritos, que frequentam as aulas uma vez por semana, em aulas de grupo ou individuais, com duração de uma hora”.

A escola, cuja atividade arrancou em 2008 no Grupo Folclórico da Fajã de Baixo, tem atualmente alunos dos 9 aos 76 anos que frequentam aulas na sede da Junta de Freguesia da Fajã de Baixo.

Segundo o músico açoriano, que se tem dedicado ao ensino e à divulgação do instrumento musical, pertencente à família das violas de arame portuguesas, existem “três escolas na ilha de São Miguel que lecionam com regularidade aulas de viola da terra”, na freguesia da Relva, na Fajã de Baixo, e ainda no Conservatório Regional de Ponta Delgada.

Rafael Carvalho, formador na Fajã de Baixo, explicou que o projeto daquela escola tem em conta “a individualidade de cada aluno”, tentando alargá-lo o máximo possível “a diversas faixas etárias”.

O objetivo é procurar também colmatar “a falta de tocadores que é sentida continuamente, principalmente nos grupos folclóricos”, assinalou.

Em dezembro, a escola da Fajã de Baixo fará a sua apresentação musical, com atuações individuais e conjuntas, “pela primeira vez, em público”, indicou.

A médio prazo, o objetivo da Associação Viola da Terra é alargar o número de turmas na Fajã de Baixo e replicar o projeto por outras freguesias, procurando a proximidade com os alunos e instituições de cada local.

A Associação Viola da Terra pretende ainda articular esta aprendizagem do instrumento com os grupos folclóricos, ao nível de eventuais interessados na aprendizagem, e cooperar no empréstimo de instrumentos musicais.

De acordo com o músico, há pessoas que querem aprender a tocar, mas “não o fazem por não poderem, inicialmente, investir na aquisição de uma viola da terra”.

O professor açoriano tem-se dedicado há mais de duas décadas ao ensino do instrumento musical, iniciado na Escola de Violas da Ribeira Quente, em São Miguel, seguindo-se a Academia da Povoação e a Escola de Violas da Fajã de Baixo, sendo o Conservatório Regional de Ponta Delgada o último desses projetos.

Rafael Carvalho apresentou há 10 anos o seu primeiro álbum, “Origens”.

Recentemente apresentou um álbum duplo comemorativo dos 10 anos do seu primeiro trabalho a solo, com um CD com 20 originais para viola da terra.

A viola da terra teve origem no século XVIII e “sobreviveu graças ao povo”. Tem a caixa em forma de oito e tem 12 cordas: três ordens duplas (seis cordas mais agudas organizadas aos pares) e duas ordens triplas (outras seis cordas graves e organizadas em conjunto de três).

O instrumento é também conhecido como viola de arame ou viola de dois corações, sendo semelhante ao violão, mas de dimensões mais pequenas.

No passado, a viola da terra fazia parte do dote do noivo e o seu lugar na casa durante o dia era em cima de uma colcha axadrezada, como adorno do quarto do casal, assumindo, desde o povoamento do arquipélago, um lugar de destaque nos festejos, bailes, cantorias e serões.

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