Francisco Miranda Rodrigues, Bastonário da Ordem dos Psicólogos
Pub

No âmbito da visita do Bastonário da Ordem dos Psicólogos aos Açores, que termina hoje, o Jornal Açores 9 falou com Francisco Miranda Rodrigues sobre os temas que marcaram estes dois dias.

Qual o balanço que faz desta visita aos Açores?

É um balanço muito positivo, particularmente porque foi possível lançar um conjunto de projetos e de trabalho em parceria com o Governo Regional, em várias áreas de assuntos que nos preocupavam mutuamente e que agora vêm novos passos e novas oportunidades. Houve muita abertura por parte do Governo Regional para as nossas propostas, na sua esmagadora maioria houve muita aceitação, e inclusivamente já há uma ação muito concreta que foi apresentada pelo Governo Regional da contratação dos 30 psicólogos e psicólogas para o serviço regional de saúde,o que é uma ótima notícia.

Pub

O que pode mudar com mais psicólogos neste serviço regional de saúde?

Vamos ter mais acesso à saúde mental, mais acesso a que as pessoas possam cuidar mais de si próprias e possam ter mais apoio para desenvolver as suas competências. Há mais acesso para prevenir determinado tipo de problemas que todos temos nas nossas vidas – como situações de crise, de divórcio ou desemprego – e que muitas vezes por não termos qualquer tipo de apoio não conseguimos por nós próprios solucionar e vêm a desenvolver-se de pois problemas mais graves ao nível da saúde mental. É muito bom, ainda mais numa altura em que saiu um relatório da OCDE que coloca Portugal muito mal. Infelizmente não é uma novidade e temos vindo a alertar para isso há muito tempo, mas Portugal é um dos países piores em termos de acessibilidade à saúde mental e, portanto, este reforço de psicólogos vem ajudar na Região Autónoma dos Açores a resolver essa situação. Espero que isso seja seguido no continente.

Qual é a situação no Continente?

A situação no continente é de uma lacuna imensa. Estamos a falar de sensivelmente 250 psicólogos para todo o país, o que dá 2,5 por cem mil habitantes. Se compararmos com os Açores,e até olhando para o número em absoluto deste reforço, se percebe o quão grave é a situação no continente e o quão urgente é que ela faça parte das prioridades. Até agora não tem feito e não há qualquer sinal de que venha a fazer. Espero que esta medida na região dos Açores e o próprio alerta da OCDE seja um contributo para que se tomem as medidas que são necessárias.

O Bastonário vai visitar a Associação Norte Crescente, no âmbito da Campanha Escola Saudavelmente. Em que consiste este programa e porque são imprescindíveis os psicólogos nas escolas?

Este Escola Saudavelmente pretende promover o sucesso educativo e o bem-estar e saúde psicológica nas escolas. Fazemos um reconhecimento das boas práticas que as escolas têm, na maior parte das vezes com o contributo dos psicólogos e psicólogas que nelas trabalham. Eles são essenciais, nomeadamente para o apoio à gestão dessas mesmas escolas e para terem projetos educativos que tenham estas boas práticas inclusivas e de promoção do sucesso e de prevenção. É importante também para o desenvolvimento de competências socio-emocionais tão importantes e cada vez mais uma tendência crescente na procura que o mercado de trabalho faz. A preparação de crianças e jovens mais resilientes com estas competências mais desenvolvidas, como por exemplo, o trabalho em equipa ou da expressão emocional e da assertividade, que são desenvolvidas pelo trabalho dos psicólogos. Logo a sua presença é absolutamente crítica tanto a um nível mais macro da gestão da própria escola, como a um nível individual para as situações que tenham de ser resolvidas num trabalho um para um.

Pub