Empresas de São Miguel e Santa Maria defendem extensão de ‘lay-off’ e corte de impostos

O tecido empresarial de São Miguel e Santa Maria defende a redução de impostos, a transformação de créditos em fundos perdidos e o prolongamento do ‘lay-off’ às empresas, a propósito da pandemia.

“Como medidas públicas a serem tomadas para ajudar as empresas nos próximos meses, as empresas apontaram a redução de impostos e da TSU (87,1%), a transformação de créditos, total ou parcialmente, em fundos perdidos (68,4%) e o prolongamento do ‘lay-off’ (56,1%)”, referem as conclusões de um inquérito promovido pela Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada junto dos associados, divulgadas esta segunda-feira.

A iniciativa visou apurar como se está a processar a retoma da atividade, as perspetivas das empresas a curto e médio prazo, bem como as estratégias que devem ser seguidas para promover a recuperação económica face à pandemia da covid-19.

O inquérito revela que “mais de 83% das empresas inquiridas” recorreram a uma ou mais medidas de apoio, sendo elas nacionais ou regionais, sendo que o ‘lay-off’ simplificado foi a medida à qual as empresas mais recorreram (74%).

De acordo com os associados que aderiram ao inquérito, a “grande maioria das empresas demonstra preocupação” (81,29%) em cumprir com as condições estabelecidas em cada medida de apoio, sendo que “as que responderam afirmativamente consideram a manutenção dos postos de trabalho a mais preocupante” (83%).

O documento aponta que “mais de metade das empresas considera que os apoios concedidos ficaram aquém do que era preciso” e a maioria (63%) entende que os negócios no período após a retoma, entre maio e junho, foram “inferiores às expectativas”.

“Mais de dois terços das empresas (67,7%) perspetivam os seus negócios para o segundo semestre de 2020 como muito negativos ou negativos e 53,5% consideram que só voltará ao volume de negócios de 2019, depois de 2021”, refere-se no inquérito.

O turismo e a restauração são o setor que se mostra mais pessimista com o normal retomar da atividade económica, apontando uma data para lá de 2021 para essa normalização, com volumes de vendas idênticos a 2019.

As empresas da indústria e a construção civil mostram-se mais otimistas com a retoma.

No quadro dos fundos comunitários que a região vai receber, defendem os empresários que devem privilegiar as empresas (71%), apostar em mercados externos para capturar turistas (53,5%), apostar no mercado interno regional (50,3%), melhorar os incentivos para investimentos privados (43,9%) e privilegiar o mercado ilha (41,9%).

Aponta-se ainda a necessidade da aposta na produção interna de bens e serviços (34,8%), de mais investimento público (24,5%), a par de uma aposta em mercados externos para a venda de bens e serviços (23,2%) e de uma participação pública para salvar empresas estratégicas.