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Várias associações empresariais manifestaram hoje “profunda preocupação” com o “aumento da pobreza, mendicidade, alcoolismo e toxicodependência” no centro da cidade de Ponta Delgada e vão solicitar reuniões com as autoridades regionais e polícia.

A posição foi manifestada numa reunião que juntou a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), a Associação Regional das Empresas de Atividades Turísticas dos Açores (AREAT), a Associação de Alojamento Local (ALA), as Casas Açorianas e as delegações da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) e a Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis (ARAC).

Em comunicado, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada adiantou que as associações empresariais decidiram solicitar reuniões com o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, com o autarca de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, e Comando Regional da PSP, face à “situação de insegurança e de mendicidade” em Ponta Delgada.

Os empresários consideraram que as entidades competentes devem tomar “urgentes medidas”, justificando que “os problemas que se estão a verificar” são “diferentes dos que ocorriam há alguns anos”.

“O comportamento e o perfil dos mendigos são muito diferentes, sendo mais agressivos e muito associados a problemas de álcool e de estupefacientes. Face a esta nova realidade, persistem políticas e medidas antigas para os combater, cujos resultados são inaceitáveis”, alertaram os empresários.

Segundo as associações, as ocorrências são principalmente no centro de Ponta Delgada, “mas não só”.

Há, dizem, “situações degradantes protagonizadas por pessoas sem-abrigo”, outras “alcoolizadas”, e ainda “toxicodependentes, que utilizam a via pública e espaços de estabelecimentos comerciais para ações que colocam em causa a saúde e a segurança pública”.

Os empresários apontaram ainda para uma “galopante mendicidade” com “comportamentos muito agressivos e insistentes junto dos transeuntes locais e visitantes”.

No entender dos empresários, tem havido ao longo dos anos “uma evidente falta de responsabilização, cooperação e interligação entre as diversas entidades que têm competências para combater estas situações”.

Face à “situação grave que se vive atualmente” ao nível da saúde pública, ordem pública, as associações empresariais pedem urgência na alteração das políticas sociais, porque “não estão a responder de forma satisfatória ao aumento da pobreza, da mendicidade, do alcoolismo e da toxicodependência, numa perspetiva de ajudar e dar maior dignidade às pessoas”.
“É necessário que o Governo Regional faça muito mais e melhor nesta área”, lê-se no comunicado.

Os empresários pedem também uma intervenção concertada e integrada da PSP, Câmara Municipal e Governo Regional que permita “um plano de ação conjunto, de curto, médio e médio prazo”.

Solicitam também policiamento diurno e noturno da polícia municipal, em cooperação com a PSP, que deve ainda reforçar “o policiamento atuante, na rua” e a sensibilização das entidades judiciais para uma aplicação das leis, que “tenha em conta esta realidade”.

Outra das medidas propostas pelos empresários é a identificação dos locais críticos e maior presença policial nos mesmos, a restituição do espaço público (jardins, ruas e praças) às famílias e aos turistas, que “deixaram de os utilizar, devido à insegurança e ao importuno constante de mendicidade agressiva”.

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