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O fórum da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) apontou hoje como “aspetos negativos” da economia regional a ausência de convergência com o país e a União Europeia e os índices de pobreza, que “continuam muito elevados”.

Em comunicado, os empresários açorianos apontam ainda a “crescente prevalência de insegurança, resultante do consumo de estupefacientes”, o “consequente aumento da instabilidade social, por via da pobreza e da exclusão social”, a par do relacionamento com o Governo da República, que “evidencia divergências com implicações negativas para as empresas e as famílias”.

Para a CCIA, é “sintomático disto o não alargamento aos Açores da compensação para o aumento do salário mínimo, a estanquidade da aplicação dos fundos que leva à exclusão dos Açores de diversas medidas nacionais, a ausência de qualquer apoio no financiamento dos custos acrescidos da pandemia, contrastando com os apoios concedidos, por exemplo, no caso dos danos causados pelo Furacão Lorenzo”.

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O fórum da CCIA teve lugar na segunda-feira, por videoconferência, contando com a participação de cerca de trinta empresários representando as associações empresariais dos Açores e envolvendo os vários setores de atividade, acrescenta-se na nota de imprensa.

Os aspetos que causam “séria apreensão” aos empresários são o “acréscimo de custos de contexto, especialmente movidos pelos custos energéticos, agora com particular relevo para o brutal aumento do preço da eletricidade para a produção, os custos de matérias primas e os logísticos e a continuada subida das taxas de juro, dada a evolução da inflação”.

O tecido empresarial aponta também “os atrasos na finalização/pagamento das candidaturas dos apoios das linhas desenhadas para mitigar os impactos da pandemia, penalizando as empresas que se vêm confrontadas com reembolsos de empréstimos”.

Existe ainda uma “continuada falta de clarificação dos instrumentos de recapitalização no âmbito do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] dos Açores, que não pode ser feita em exclusivo com recurso a capital de risco, sendo que este instrumento não responde a uma verdadeira ‘capitalização’”.

A CCIA aponta como “aspetos positivos” a manutenção do pacote fiscal que “se aplica na sua plenitude desde 2021, com o alargamento do diferencial fiscal para os níveis máximos permitidos pela Lei de Finanças das Regiões Autónomas”, a manutenção da Tarifa Açores e o “anúncio da intenção de introdução de melhoramentos significativos no quadro da formação profissional”.

O organismo representativo dos empresários salvaguarda como “grandes objetivos a prosseguir” a “recuperação das empresas para a sustentabilidade do emprego”, a criação de uma “base económica mais forte para o futuro, reforçando e modernizando os pilares existentes e desenvolvendo novas atividades”.

De acordo com a CCIA, torna-se imperioso assegurar que “só através da iniciativa privada a economia da região irá crescer”, sendo importante “combater a ideia que se está perto do ponto de saturação da oferta turística, afirmando a importância deste setor para a geração de empregos e de riqueza, baseada na exportação”.

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