“Entendemos que todo o modelo de governação no Grupo SATA deve ser alterado, bem como a forma como o acionista se relaciona e intromete nas questões operacionais das empresas. Para tal não chega mudar o presidente da empresa”, adiantou a associação empresarial, em comunicado de imprensa.

O Governo Regional dos Açores indicou recentemente o gestor de empresas António Luís Gusmão Teixeira para a presidência do conselho de administração da SATA, substituindo Paulo Menezes, que ocupava o cargo desde o final de 2015.

Segundo um relatório a que a Lusa teve acesso, o grupo SATA encerrou as contas de 2017 com prejuízos de 41 milhões de euros, valor que quase triplicou em relação a 2016 (14 milhões) e que representa o maior prejuízo da história da empresa.

Para a associação empresarial das ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge, as contas do grupo SATA de 2017 e do 1.º trimestre de 2018 motivam “preocupação pela situação financeira da mesma e pelo seu futuro”.

Os empresários consideram ainda que a operação da SATA Air Açores está a “servir mal açorianos e visitantes”, alegando que só esta quinta-feira se registaram “seis cancelamentos de voos” para a ilha Terceira.

“Numa altura em que o turismo deveria estar a funcionar em pleno, estamos constantemente a ter reservas canceladas, por inteira responsabilidade da SATA, prejudicando toda a economia da Região”, salientou a CCAH, no mesmo comunicado.

A associação empresarial criticou, por outro lado, o voto contra da bancada socialista, em maioria na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, a um projeto de resolução apresentado pelo CDS-PP que recomendava ao Governo Regional a elaboração de um estudo de viabilidade económica, de diferentes modelos de transporte marítimo de mercadorias, que contemplasse o transporte do continente para os Açores e a distribuição da carga inter-ilhas.

“Responsabilizamos o Governo Regional e os deputados que votaram contra o projeto de resolução em causa por todos os constrangimentos que este modelo traz, e continuará a trazer, à economia da região”, frisou.

A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo rejeitou ter proposto ou defendido qualquer modelo que “não fosse justo para todas as ilhas”, alegando que o que está em causa é o “custo associado à alteração do modelo”.

“Na nossa opinião, este deve ser responsabilidade do Governo Regional, cujo desígnio deve ser servir todos os açorianos, independentemente da ilha onde residam ou tenham o seu negócio”, sublinhou.