Emanuel Furtado: Política e afins – O Novo Coronavírus e a COVID-19

Há cerca de duas semanas que não se fala praticamente de mais nada – a pandemia a que o mundo está a assistir pelo novo vírus Corona.

Os coronavírus são uma família de vírus que podem causar infeções que, por norma, afetam o sistema respiratório, podendo ser semelhantes à gripe ou evoluir para uma doença mais grave, como uma pneumonia.

O novo coronavírus, designado por SARS-CoV-2, foi identificado pela primeira vez em dezembro de 2019 na China, na cidade de Wuhan. Este novo agente nunca tinha sido identificado anteriormente em seres humanos, pelo que a sua fonte da infeção é ainda desconhecida.

Convém termos em atenção que COVID-19 não é o mesmo que o SARS-CoV-2.

SARS-CoV-2 é o nome do novo vírus e significa, SevereRespiratoryAcuteSyndrome (Síndrome Respiratória Aguda Grave) – Coronavírus-2. COVID-19 (CoronavirusDisease) é o nome da doença e significa Doença por Coronavírus 2019, fazendo referência ao ano em que foi descoberta.

Há poucos dias, um professor de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Jorge Buescu, elaborou três cenários matemáticos sobre a propagação do Coronavírus até ao final deste mês de março, recorrendo a ferramentas mais ou menos acessíveis a qualquer estudante do primeiro ano da faculdade. No pior cenário, prevê que em Portugal existirão cerca de 60 mil casos de infetados; no cenário intermédio, a estimativa é de cerca de 19 mil casos e, no cenário mais otimista, prevê que, no país, sejam atingidas pouco mais de 4 mil pessoas.

Note-se que não existe apenas um modelo que faz previsões para a propagação de uma epidemia… existem muitos, uns mais simples outrosmais elaborados…

Por norma, estes modelos, e neste caso em concreto, em que não existe imunidade na população, apresentam um crescimento inicial exponencial (que cresce muito rápido), depois o crescimento abranda e, finalmente, começa a decrescer. O grande problema prende-se com a dificuldade em prever o momento em que esse abrandamento acontece.

Devo dizer que, com os conhecimentos matemáticos que tenho, fui à procura de um modelo que pudesse fazer uma previsão dos infetados ao longo dos tempos. A minha previsão é que, no final de março, o número de casos infetados esteja compreendido entre os 30 mil e os 33 mil, sendo que, lá para meados de abril, entre 65% e 70% da população portuguesa estaria infetada. Convém, contudo, esclarecer que este cenário é plausível, mas as autoridades portuguesas estão atentas e tomarão a medidas necessárias para que tal não venha a suceder!

Quanto aos Açores, e porque temos apenas três casos de infeção (mais dois confirmados hoje) desde há dias (felizmente,) não é possível prever de forma mais ou menos rigorosa como o vírus se pode propagar. Além disso, o facto de sermos 9 ilhas e haver descontinuidade geográfica dificulta ainda mais este tipo de previsão. Neste contexto, e tendo em conta essas e outras dificuldades, o Governo dos Açores tem estado irrepreensível em aplicar as medidas que de todos são conhecidas. Só não aplicou mais (que muitos reclamam) pelas razões óbvias: não estão na esfera das suas competências. Hoje, da reunião do Conselho de Estado, saiu a decisão de decretar “Estado de Emergência”, com todas as consequências em termos de liberdades que daí advêm.

Estamos perante uma circunstância completamente nova que ninguém conhece as verdadeiras repercussões. Por isso, sem alarmismos, mas com muita responsabilidade, #FiqueEmCasa, pela nossa saúde!