Emanuel Furtado: Política e afins – O Dia da Autonomia

Na segunda-feira passada, comemorou-se o dia da Autonomia, também conhecido como o dia da “pombinha do Espírito Santo”, data que é feriado regional desde 1980, altura em que o Parlamento Regional o instituiu como o Dia da Região Autónoma dos Açores. Neste dia, celebra-se “a afirmação da identidade dos açorianos, da sua filosofia de vida e da sua unidade regional”, consideradas “base e justificação da autonomia política que lhes foi reconhecida e que orgulhosamente exercitam”.

Pretende-se, assim, comemorar a açorianidade e a nossa autonomia. A escolha desta data alicerçou-se no facto da comemoração do Espírito Santo, em que se entrelaçam as mais nobres tradições cristãs, ser a principal festividade do povo açoriano.

Nestas ocasiões, é muito natural que os poderes regionais, através dos seus representantes façam discursos que nos apontem os caminhos que devemos trilhar enquanto Comunidade.

Este ano, tendo em consideração a pandemia que estamos a viver era incontornável que os discursos incidissem sobre essa realidade.

O discurso do Presidente do Governo dos Açores centrou-se, assim, em quatro vertentes.

A primeira teve o enfoque na pandemia e no esforço que todos os açorianos fizeram e continuam a fazer para que tenhamos a pandemia e os seus processos de contágio controlados, sendo disso prova a inexistência de novos casos há mais de quinze dias. Mas é preciso continuarmos atentos e focados nas normas que devemos cumprir.

A segunda foi uma abordagem aos serviços que resultam das nossas competências autonómicas, com maior preponderância para o Serviço Regional de Saúde e o Sistema Regional de Educação, fazendo um rasgadíssimo elogio a todos os profissionais que deles fazem parte e tanto se têm empenhadopara que tudo continue a funcionar, dentro da normalidade possível. Fez uma referência bem explícita ao símbolo máximo da nossa autonomia – o Parlamento Regional, considerando, ainda, a forma empenhada de atuação dos partidos políticos.

A terceira, e como não poderia deixar de ser porque é ano eleitoral, fez lembrar os feitos alcançados durante os últimos quatro anos, sem embarcar em devaneios e sempre com uma postura de grande humildade perante esses mesmos resultados. Com uma única lógica: “é preciso olhar para o futuro reerguendo a esperança e renovando a confiança”, nas suas próprias palavras.

Finalmente, exortou os açorianos, em particular os jovens, a terem uma atitude de questionamento, de crítica, de propositura para que, em conjunto e individualmente, contribuamos para um futuro melhor para todos. Fez-me lembrar as palavras do antigo presidente norte americano, John Kennedy: “Não perguntes o que teu país pode fazer por ti. Pergunta o que podes fazer pelo teu país”.

Contudo, temos de ter em mente que algumas das “armas” que poderíamos ter utilizado para melhor combater esta pandemia estão reféns de constrangimentos que a República e a Constituição nos impõem. Estaremos, por isso, numa encruzilhada? De maneira nenhuma. Ainda assim, é preciso que pensemos que mecanismos deveremos ter para que esses constrangimentos deixem de existir.

Por isso e parafraseando o Hino Regional: “Para a frente em comunhão!Pela nossa Autonomia!”.

 

Emanuel Furtado